
A preocupação com a alimentação infantil tem impulsionado um novo e promissor segmento em Maringá: o mercado de comida saudável voltada exclusivamente para crianças. Negócios que aliam nutrição, praticidade e propósito vêm ganhando espaço na rotina das famílias e das escolas, acompanhando uma mudança de comportamento de pais cada vez mais atentos à qualidade do que chega ao prato dos filhos.
Um dos exemplos desse movimento é a Padaria Kids, instalada em Maringá há cerca de um ano e meio. À frente do negócio está a farmacêutica Vanessa Violin, que encontrou no empreendedorismo uma forma de conciliar vida profissional, maternidade e propósito. Mãe de duas crianças, de sete e cinco anos, Vanessa conta que a ideia surgiu da própria rotina familiar. Acostumada a preparar os lanches escolares em casa, sempre priorizando alimentos naturais e nutritivos, ela percebeu a dificuldade de manter esse padrão em dias mais corridos.
“Sempre fiz tudo em casa, tudo mais saudável, o mais natural possível, sempre ofereci alimentos de qualidade. Então eu já tinha esse hábito. Mas a gente tem aqueles momentos de dia que é tranquilo, outro dia é um caos e com isso a gente tem que ter algumas cartas na manga e eu comecei a procurar algo que fosse nutritivo, saudável, saboroso. Tem a questão do lúdico porque um dos meus filhos são bem seletivos, aí eu vi que existia a Padaria Kids em Cascavel. Nós fomos até lá para comprar os lanchinhos para as crianças, porque eles não poderiam mandar todos os lanches, que são ultracongelados. Descobri que eles eram uma franquia e comecei a pensar como que Maringá ainda não tinha um negócio assim para ajudar as famílias no dia a dia”, relata. A decisão de trazer a marca para a cidade se consolidou após uma conversa com a idealizadora do projeto e dona da marca.
A proposta da padaria voltada ao público infantil é oferecer produtos livres de conservantes, corantes ou aditivos químicos, preparados com ingredientes naturais e carnes de primeira qualidade. O público principal são famílias que já têm consciência sobre a importância da alimentação desde a infância, incluindo crianças com seletividade alimentar. De forma lúdica, receitas como pizzas de massa semi-integral e kibes com legumes conseguem inserir alimentos que muitas crianças rejeitam no dia a dia, como tomate, abobrinha e cenoura, sem que elas percebam. “Eles amam os lanchinhos e os pais ficam muito felizes”, diz a franqueada.
Outro empreendimento que reforça a expansão desse mercado é a Beni Kids, que atua há quatro anos em Maringá e região. A marca nasceu, segundo a sócia-proprietária Taya Telles, de um “choque de realidade”. Quando o sobrinho, Miguel, nasceu, a família, que por décadas trabalhou com alimentação, em um buffet, identificou uma falha estrutural no sistema alimentar voltado às crianças. “Ele não foi pensado para o desenvolvimento da criança, foi pensado para a conveniência do adulto. O mercado oferece dois caminhos hoje: ou você cozinha todos os dias, o que é algo inviável para a maioria das famílias modernas, ou você recorre às papinhas e ultraprocessados, que são fortemente não recomendadas nessa fase da vida”, explica.
A empresa trabalha com refeições prontas, frescas e não congeladas, desenvolvidas para crianças de seis meses a dez anos. Atualmente, a empresa atende cerca de 1.500 crianças por dia, principalmente por meio de parcerias com escolas, que servem os produtos na merenda, mas também vendendo comida pronta e porcionada diretamente para os pais, desde a introdução alimentar até as refeições do dia a dia. “Estudos publicados no British Medical Journal mostram que reduzir o ultraprocessado na infância diminui o risco da obesidade, doenças cardiovasculares, problemas metabólicos, gastrointestinais, respiratórios e até mesmo emocionais. Nós fizemos uma pesquisa interna que mostrou algo muito claro: crianças que passaram a consumir regularmente a alimentação de verdade, fresca, com qualidade, apresentaram menos episódios de adoecimento, menos idas ao pediatra e uma melhora significativa na imunidade. Isso não é um milagre. É uma fisiologia básica funcionando do jeito ou da maneira certa. A saúde virou uma prioridade”, argumenta a empresária, que diz que a empresa mira em uma expansão para o mercado nacional e deve também oferecer as versões dos alimentos prontos para os adultos. “As mães porque elas acabavam provando a refeição da criança e gostando do sabor e da proposta de uma refeição mais saudável”, diz Taya.