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03 de fevereiro de 2026

Evento em Maringá debate autismo, diagnóstico precoce e inclusão escolar


Por Brenda Caramaschi Publicado 03/02/2026 às 19h00
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Um dos palestrantes da Jornada Pedagógica 2026 é o neurologista e neuropediatra Carlos Gadia, referência internacional em autismo. / Foto: Eduardo Domingos

Maringá recebe, nesta quarta-feira (4), um dos encontros mais relevantes do país sobre educação inclusiva e neurodivergência. A Jornada Pedagógica 2026, promovida pela Prefeitura, reúne profissionais de diferentes áreas do sistema educacional para discutir inclusão, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e neurodesenvolvimento.

Um dos palestrantes é o neurologista e neuropediatra Carlos Gadia, referência internacional em autismo. Em entrevista à CBN Maringá, o especialista destacou a importância do diagnóstico precoce, da informação de qualidade e do envolvimento de toda a comunidade escolar no processo de inclusão. Segundo Gadia, ainda é comum que o debate sobre autismo se restrinja à sala de aula, quando, na prática, a inclusão precisa ir muito além.

 “Inclusão não é simplesmente estar na sala com as outras crianças. É preciso que o porteiro esteja preparado para receber essa criança, que a merendeira saiba como lidar com ela, que todos entendam suas necessidades”, afirmou. O neuropediatra explicou que houve um avanço significativo na identificação do TEA nas últimas décadas, tanto entre profissionais de saúde quanto entre as famílias. Hoje, não é incomum que pais cheguem ao consultório já com a suspeita do transtorno. Ele ressaltou, porém, que ainda existem sinais de alerta claros que precisam ser levados a sério: a ausência de balbucio, de gestos como dar tchau ou apontar aos 12 meses, dificuldade de formar frases simples aos dois anos e qualquer tipo de regressão no desenvolvimento. “Essa ideia de que cada criança se desenvolve no seu tempo é perigosa quando ignora sinais evidentes”, alertou.

Gadia explicou que o aumento expressivo dos casos de autismo está ligado, principalmente, à mudança nos critérios diagnósticos ao longo dos anos. Antes, o autismo era associado apenas à ausência de fala e interação social. Hoje, o diagnóstico considera déficits na qualidade da comunicação e da interação, o que ampliou o reconhecimento do espectro. Nos Estados Unidos, por exemplo, a prevalência passou de um caso a cada 15 mil crianças no início dos anos 1990 para cerca de uma a cada 32 crianças em idade escolar atualmente. Apesar dos avanços, o especialista aponta que o acesso ao diagnóstico e às terapias ainda é um dos maiores desafios, especialmente no Brasil. “A maior parte da população não consegue acesso a intervenções adequadas, e isso só vai mudar com a mobilização das famílias e da sociedade”, afirmou.

Para ele, iniciativas como a Jornada Pedagógica são fundamentais por envolverem todos os profissionais da escola, reforçando que a inclusão só funciona quando o sistema atua como um todo. “Quando todos se sentem parte, a inclusão deixa de ser discurso e passa a ser prática”, concluiu.

Veja a entrevista completa.

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