
Com cartazes, familiares de Neide Aparecida Baliveira Bezerra, vítima de feminicídio, pediam por justiça em frente ao Fórum de Maringá. Ela foi morta pelo enteado, Renan Alves, na madrugada de 12 de março de 2022. O julgamento do assassino começou por volta das nove horas da manhã desta terça-feira, 23. Neide foi morta com mais de 20 facadas, depois de ser retirada à força pelo assassino da cama onde dormia com a filha caçula, de 10 anos, como detalha a irmã da vítima, Maria Renata Baliveira.
“A minha sobrinha estava deitada na cama com minha irmã. Ele invadiu a casa, entrou no quarto, pegou a minha irmã e levou ela para a cozinha, e matou ela na cozinha. Na hora que ele levou ela, a minha irmã já ficou preocupada com a Rafa [filha caçula] e falou ‘se esconde, Rafa, se esconde’. E ela, inocente, se escondeu embaixo da coberta”, conta Maria Renata.
O assassino foi preso horas depois, mas mesmo antes da prisão, já havia confessado o crime em um áudio enviado por um aplicativo de mensagens, dizendo que havia matado a madrasta por conta de um desentendimento entra ela e a avó de Renan, que ele tratava como mãe. No áudio, ele disse que não se arrependia do crime.
A família de Neide pede a pena máxima por feminicídio, como explica a irmã da vítima.
“A gente está com medo, porque ele é réu primário, e ele não pegar a pena máxima, e a gente queria que ele pegasse a pena máxima. Que fosse feita a justiça, porque ele foi muito cruel. Ele tirou minha única irmã, ele não pensou na filha dela, não pensou nos filhos dela. Ele não pensou em ninguém”, disse a irmã da vítima.
Durante o julgamento, o investigador que atendeu a ocorrência foi o primeiro a ser ouvido e disse que o pai de Renan relatou a relação conturbada entre o filho e a madrasta. Na noite do crime, Neide teria ligado para o companheiro relatando que alguém estava tentando entrar na casa. Ele teria saído às pressas do trabalho, na Ceasa, e ao chegar perto da casa, viu o filho deixando o imóvel correndo. Ao entrar na imóvel, encontrou Neide já sem vida.
O pai de Renan e companheiro de Neide foi ouvido na sequência e contou que a filha de Neide estava escondida debaixo da cama, chorando e com medo. Depois de entregar a criança para a vizinha, diz que tentou reanimar a vítima, sem sucesso. Ligou então para o polícia. Inconformado, o pai do autor do homicídio contou que o filho trabalhava com ele, nunca havia se envolvido com crime algum, e que ficou em choque com o assassinato.
Renan foi criado pelo pai e a avó paterna, a quem considerava como mãe, e que era vizinha de Neide. Segundo o pai, a briga relatada no audio enviado após o assassinato entre Neide e a avó de Renan teria acontecido meses antes do assassinato. Neide e o pai de Renan estavam juntos há 8 anos.
O julgamento pelo caso de feminicidio continua no fórum de Maringá.
Ouça a reportagem completa na CBN Maringá.