‘Foi como se eu pudesse fazer tudo’: Jovem supera depressão, ignora ataques e emociona ao completar a Prova Tiradentes em Maringá


Por Thiago Danezi
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A 49ª Prova Rústica Tiradentes, realizada nesta semana em Maringá, reuniu cerca de 10 mil atletas de seis países e foi marcada por grandes desempenhos e histórias inspiradoras. Na elite masculina, a vitória ficou com o cascavelense Edelson de Ávila, que completou o percurso em 29 minutos e 53 segundos. Já na elite feminina, a queniana Viola Kosgei garantiu o primeiro lugar ao cruzar a linha de chegada em 33 minutos e 30 segundos.

Muito além do pódio: uma história de superação

Mas, entre tantos resultados expressivos, uma história em especial chamou a atenção, não pelo tempo no cronômetro, mas pela força de vontade, superação e coragem diante das críticas. A protagonista é Mariana Carneiro Garcia, conhecida como Wary Garcia. Aos 24 anos, ela foi uma das últimas atletas a concluir a prova, praticamente no tempo limite. Ainda assim, o que poderia ser visto apenas como um número ganhou outro significado: o de vitória pessoal.

Vídeo emocionante e reação nas redes sociais

Wary compartilhou nas redes sociais o momento em que cruza a linha de chegada, visivelmente emocionada. O vídeo rapidamente repercutiu e tocou quem acompanhava a prova. No entanto, junto com o apoio, vieram também comentários ofensivos direcionados ao seu corpo e à sua participação na corrida. Entre as mensagens, frases como: “um jejum cairia bem melhor que pedra”, “corre 100 km porque não está adiantando” e “sempre uma gorda” evidenciam o preconceito ainda presente no ambiente digital.

Depressão, incentivo do pai e o início na corrida

Em entrevista ao Portal GMC Online, Wary contou que sua trajetória no esporte começou em meio a um período difícil. “Tenho 24 anos, sou influencer, cosplayer e streamer desde os 19. Aos 22, entrei em depressão e decidi começar na academia. Meu pai também começou a correr após um acidente sério que sofreu, e isso ajudou muito na recuperação dele. Em um momento de recaída, ele me pegou pela mão e me levou para treinar. Foi assim que comecei a correr”, relatou.

Sem experiência em provas de rua, ela aceitou o desafio incentivada pelo pai e se inscreveu na Tiradentes. “No dia da prova, pensei: ‘Deus, se eu conseguir correr 1 km já está ótimo’. Quando chegava em um, pensava: ‘vou correr só mais um’. E fui assim até o km 9. Quando cheguei lá, várias pessoas começaram a me incentivar. E, no final, vi meu pai, que também tinha corrido, me esperando para cruzar comigo. Foi incrível”, disse.

A emoção da chegada e o sentimento de conquista

A emoção da chegada marcou não apenas o fim da prova, mas o início de uma nova fase. “Foi como se eu pudesse fazer tudo o que eu quisesse. A sensação de cruzar a linha de chegada é de superação total”, afirmou. Além do esporte, Wary também se destaca como criadora de conteúdo.

Jovem de 24 anos emociona ao completar a Prova Rústica Tiradentes, em Maringá, após enfrentar depressão e críticas nas redes sociais. História de superação viraliza. Foto: Arquivo Pessoal

“Sou streamer na Twitch, tenho uma comunidade que me apoiou do início ao fim. Sou cosplayer desde os 15 anos, já fui jurada em eventos e tenho mais de 20 vitórias em concursos. Todo o meu trabalho é feito por mim, do zero”, contou. Determinada, ela já projeta novos desafios. “Estou treinando de segunda a sexta, focando na alimentação e no cárdio. Estou ansiosa para a próxima corrida em Maringá e quero superar os 10 km”, disse.

Resiliência diante das críticas

Sobre as críticas, Wary demonstra maturidade e resiliência. “Já recebi até piores, mas não deixo isso me abalar. Na internet, a gente precisa ter cabeça. Eu uso esses comentários para mostrar que é possível e para incentivar outras pessoas a não ligarem para o que dizem e focarem em si mesmas”, afirmou.

Uma mensagem que vai além da corrida

Mais do que completar um percurso de 10 quilômetros, a participação de Wary Garcia na Prova Rústica Tiradentes simboliza uma vitória pessoal construída com esforço, persistência e coragem. Em meio a críticas e julgamentos, ela transformou a própria trajetória em um exemplo de superação e incentivo para outras pessoas.

A história da jovem reforça que o esporte vai muito além de tempos e classificações. Para muitos, como Wary, cruzar a linha de chegada representa enfrentar desafios internos, vencer inseguranças e provar que é possível recomeçar, independentemente das circunstâncias. Em uma prova marcada por grandes atletas e desempenhos de alto nível, foi justamente essa história que ganhou destaque, mostrando que, no fim, a maior conquista não está no pódio, mas na decisão de não desistir.

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