
A gralha-azul que vive ao lado de cerca de 107 animais, distribuídos em aproximadamente 30 espécies, no Zoo Casa das Araras, em Maringá, será transferida para o Zoológico de Curitiba como parte de um projeto de conservação. O assunto foi detalhado em entrevista ao Portal GMC Online pela bióloga e responsável técnica do espaço, Camila Carniatto.
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Transferência para conservação da espécie
A ave, chamada Tônia, está há cerca de um ano e meio no espaço, localizado no complexo do Ody Park, na saída para Iguaraçu. Segundo Camila, a gralha veio da região de Paranaguá após ser resgatada ainda filhote, com histórico de apreensão e uma lesão na asa, o que a impede de retornar à natureza. “Ela chegou filhote, passou por todo o processo de quarentena e adaptação. Hoje, como não tem condições de viver em vida livre, faz parte do nosso plantel”, explicou.
De acordo com a bióloga, a decisão de encaminhar Tônia para Curitiba está ligada a um projeto de conservação da espécie. No zoológico da capital, há um macho disponível, o que possibilita a formação de um casal com potencial reprodutivo.
“O objetivo é justamente contribuir com a reprodução e manutenção da espécie. A gente trabalha também com banco genético e conservação. Esse tipo de parceria entre zoológicos é fundamental”, destacou.
Animais resgatados e sem retorno à natureza
Camila explica que o Zoo Casa das Araras possui licença de zoológico, o que permite receber animais resgatados de situações como tráfico, maus-tratos e desastres ambientais. Atualmente, cerca de 99% dos animais abrigados no local são provenientes de apreensões e não têm condições de voltar à natureza.
“São animais que, por diferentes motivos, perderam a capacidade de sobrevivência em vida livre. Muitos foram retirados ainda filhotes ou sofreram lesões permanentes. Aqui, eles recebem cuidados veterinários, alimentação adequada e acompanhamento especializado”, afirmou.
O espaço abriga cerca de 30 espécies diferentes, somando aproximadamente 107 animais, entre aves, répteis e mamíferos, como araras, papagaios, tucanos, flamingos, cobras, jabutis, tartarugas e até lhamas.
Educação ambiental e importância da gralha-azul
Além do cuidado com os animais, o trabalho desenvolvido no local também tem foco na educação ambiental. Durante as visitas, o público é orientado sobre a importância de cada espécie para o equilíbrio do meio ambiente. Um dos exemplos citados pela bióloga é justamente a gralha-azul, considerada essencial para a preservação da araucária, árvore símbolo do Paraná.
“A gralha tem um papel fundamental no plantio do pinhão. Ela enterra as sementes para consumir depois, mas muitas acabam sendo esquecidas e germinam, ajudando na regeneração das florestas”, explicou.
Mesmo com o apego criado pelos profissionais, a transferência de Tônia é vista como necessária. “A gente cria vínculo, todos os animais têm nome, conhecemos o comportamento de cada um. Mas entendemos que, nesse caso, ela pode contribuir ainda mais estando em um projeto de reprodução”, disse Camila.
A bióloga reforça que iniciativas como essa são essenciais para garantir a preservação de espécies ameaçadas e destaca o papel dos zoológicos nesse processo. Segundo Camila, os zoológicos exercem funções que vão além da exposição de animais, atuando diretamente na conservação, na pesquisa, na educação ambiental e na manutenção da biodiversidade.