
Motoristas de Maringá já começam a sentir no bolso os efeitos da escalada do conflito no Oriente Médio. Em poucos dias, o preço dos combustíveis registrou aumentos expressivos, principalmente no diesel, que apresentou uma das maiores variações recentes nos postos da cidade.
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Levantamento divulgado pelo Procon de Maringá na última sexta-feira, 6, com base em pesquisa realizada em 81 postos, apontava o litro do diesel S10 com preços entre R$ 5,79 e R$ 6,99. Poucos dias depois, o valor já chegou a R$ 7,29 em alguns estabelecimentos, o que representa uma diferença de até R$ 1,50 por litro em comparação com o menor preço encontrado na semana passada.
Situação semelhante ocorre com o diesel S500, utilizado principalmente em veículos mais antigos. Segundo o levantamento do Procon, o menor preço era de R$ 5,83 por litro. Atualmente, o combustível já é vendido em média por cerca de R$ 7,00, mantendo uma diferença aproximada de R$ 0,30 em relação ao diesel S10. Confira a pesquisa do Procon na íntegra neste link.
Já a gasolina comum também sofreu impacto. Na pesquisa do Procon, o menor preço encontrado foi de R$ 5,99, com valores que chegavam a R$ 6,79. Agora, em alguns postos de Maringá, o litro já alcança R$ 6,89.
Impacto da guerra no mercado internacional
De acordo com o presidente do Núcleo Setorial de Combustíveis (Nuscom) da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) e proprietário do Auto Posto Tuiuti, Vinicius Cavalheiro, o aumento está diretamente ligado ao conflito no Oriente Médio, que afeta uma das principais rotas mundiais de petróleo. “Naquela região onde está ocorrendo o conflito passa aproximadamente de 20% a 25% do petróleo do mundo. Quando há interrupção ou risco no transporte, surge uma expectativa de menor oferta, o que faz o preço do barril subir”, explicou em entrevista ao GMC Online.
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Segundo ele, além da alta do petróleo, há também impactos na cadeia de distribuição, que afetam países que dependem de importações de combustíveis, como o Brasil.
Dependência de combustível importado
O especialista ainda explica que o país ainda depende do mercado externo para abastecer parte do consumo interno. “O Brasil importa cerca de 25% do diesel e aproximadamente 15% da gasolina. Quando o preço internacional sobe ou há problemas logísticos, isso impacta diretamente o mercado interno”, afirmou.
De acordo com ele, em alguns momentos recentes a diferença entre o preço internacional e o praticado no Brasil chegou a ultrapassar R$ 2,70 por litro no diesel e mais de R$ 1,20 na gasolina. “As distribuidoras compram combustível tanto da Petrobras quanto do mercado internacional. Quando o produto importado chega mais caro, elas fazem uma média de custos e repassam para os postos”, disse.
Repasses rápidos ao consumidor
Segundo o presidente do Nuscom, a velocidade dos reajustes também chama a atenção. Normalmente, as alterações ocorrem semanalmente, mas nos últimos dias passaram a acontecer quase diariamente. “Estamos experimentando mudanças diárias de preço. Estamos há 25 anos no mercado e nunca vimos um reajuste tão significativo em tão pouco tempo”, afirmou.
Ele também destaca que os postos têm pouca influência sobre o preço final. “O posto compra combustível das distribuidoras e acaba ficando refém desse valor. Quando a distribuidora repassa o aumento, o posto precisa repassar ao consumidor”, explicou.
Diesel preocupa transporte e agronegócio
Entidades do setor apontam que o diesel deve ser o combustível mais impactado pela crise internacional. O produto é essencial para o transporte de cargas e para o agronegócio. No transporte rodoviário, o diesel representa mais de 50% do custo do frete. Com a alta do combustível, o transporte de mercadorias tende a ficar mais caro, o que pode impactar diretamente o preço de alimentos e outros produtos.
Além disso, a tensão no Oriente Médio afeta rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Caso haja interrupções no fluxo, a oferta global pode diminuir e pressionar ainda mais os preços.