Guerra no Oriente Médio faz preço dos combustíveis disparar em Maringá; veja os valores


Por Thiago Danezi
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Foto: José Cruz/Agência Brasil

Motoristas de Maringá já começam a sentir no bolso os efeitos da escalada do conflito no Oriente Médio. Em poucos dias, o preço dos combustíveis registrou aumentos expressivos, principalmente no diesel, que apresentou uma das maiores variações recentes nos postos da cidade.

Levantamento divulgado pelo Procon de Maringá na última sexta-feira, 6, com base em pesquisa realizada em 81 postos, apontava o litro do diesel S10 com preços entre R$ 5,79 e R$ 6,99. Poucos dias depois, o valor já chegou a R$ 7,29 em alguns estabelecimentos, o que representa uma diferença de até R$ 1,50 por litro em comparação com o menor preço encontrado na semana passada.

Situação semelhante ocorre com o diesel S500, utilizado principalmente em veículos mais antigos. Segundo o levantamento do Procon, o menor preço era de R$ 5,83 por litro. Atualmente, o combustível já é vendido em média por cerca de R$ 7,00, mantendo uma diferença aproximada de R$ 0,30 em relação ao diesel S10. Confira a pesquisa do Procon na íntegra neste link.

Já a gasolina comum também sofreu impacto. Na pesquisa do Procon, o menor preço encontrado foi de R$ 5,99, com valores que chegavam a R$ 6,79. Agora, em alguns postos de Maringá, o litro já alcança R$ 6,89.

Impacto da guerra no mercado internacional

De acordo com o presidente do Núcleo Setorial de Combustíveis (Nuscom) da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) e proprietário do Auto Posto Tuiuti, Vinicius Cavalheiro, o aumento está diretamente ligado ao conflito no Oriente Médio, que afeta uma das principais rotas mundiais de petróleo. “Naquela região onde está ocorrendo o conflito passa aproximadamente de 20% a 25% do petróleo do mundo. Quando há interrupção ou risco no transporte, surge uma expectativa de menor oferta, o que faz o preço do barril subir”, explicou em entrevista ao GMC Online.

Segundo ele, além da alta do petróleo, há também impactos na cadeia de distribuição, que afetam países que dependem de importações de combustíveis, como o Brasil.

Dependência de combustível importado

O especialista ainda explica que o país ainda depende do mercado externo para abastecer parte do consumo interno. “O Brasil importa cerca de 25% do diesel e aproximadamente 15% da gasolina. Quando o preço internacional sobe ou há problemas logísticos, isso impacta diretamente o mercado interno”, afirmou.

De acordo com ele, em alguns momentos recentes a diferença entre o preço internacional e o praticado no Brasil chegou a ultrapassar R$ 2,70 por litro no diesel e mais de R$ 1,20 na gasolina. “As distribuidoras compram combustível tanto da Petrobras quanto do mercado internacional. Quando o produto importado chega mais caro, elas fazem uma média de custos e repassam para os postos”, disse.

Repasses rápidos ao consumidor

Segundo o presidente do Nuscom, a velocidade dos reajustes também chama a atenção. Normalmente, as alterações ocorrem semanalmente, mas nos últimos dias passaram a acontecer quase diariamente. “Estamos experimentando mudanças diárias de preço. Estamos há 25 anos no mercado e nunca vimos um reajuste tão significativo em tão pouco tempo”, afirmou.

Ele também destaca que os postos têm pouca influência sobre o preço final. “O posto compra combustível das distribuidoras e acaba ficando refém desse valor. Quando a distribuidora repassa o aumento, o posto precisa repassar ao consumidor”, explicou.

Diesel preocupa transporte e agronegócio

Entidades do setor apontam que o diesel deve ser o combustível mais impactado pela crise internacional. O produto é essencial para o transporte de cargas e para o agronegócio. No transporte rodoviário, o diesel representa mais de 50% do custo do frete. Com a alta do combustível, o transporte de mercadorias tende a ficar mais caro, o que pode impactar diretamente o preço de alimentos e outros produtos.

Além disso, a tensão no Oriente Médio afeta rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Caso haja interrupções no fluxo, a oferta global pode diminuir e pressionar ainda mais os preços.

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