Homenageada da Câmara de Maringá luta por direitos da mulher


Por Lethícia Conegero

“Por muito tempo eu achei que eu queria ser menino, mas não era por eu não me identificar com o meu gênero, era porque eu queria a liberdade que eles tinham”, conta Evelin Cavalini, de 33 anos. “Os meninos tinham a liberdade de brincar com o que queriam, de sentar como queriam. Para eles, perguntavam se queriam ser médicos ou advogados. Para mim, perguntavam se eu queria casar e ter filhos. E eu tinha apenas nove anos”, acrescenta.

Foi na busca por respeito, igualdade e liberdade que Evelin Cavalini entrou na luta a favor das mulheres. E na próxima terça-feira, 10, às 10h, ela será homenageada por isso na Câmara de Maringá. Todos os anos, no mês de março, cada vereador escolhe uma mulher para receber o título do Mérito Comunitário, pelos trabalhos prestados à comunidade maringaense. Ela foi escolhida pelo vereador Mário Verri.

Nascida em Sorocaba, interior de São Paulo, Evelin Cavalini saiu de casa aos 16 anos e mudou-se para Maringá para cursar Produção Audiovisual. Hoje ministra palestras sobre o feminismo, enfrentamento à violência contra a mulher e direitos e vivências LGBT.

Ela também é membro do Conselho Municipal da Mulher, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), do Comitê Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e co-realizadora do Brasilianas, curso gratuito de formação política para mulheres.

“Percebi que só falar e só fazer militância de rede social não era suficiente, então comecei a entrar no engajamento real. Comecei a procurar formas de lutas, grupos e associações para participar mais ativamente. E senti falta em Maringá da existência de um coletivo de mulheres, então fui galgando espaço para trazer conhecimento, base teórica e legitimidade para poder falar sobre isso”, destaca.

Cavalini também é co-fundadora do movimento “Nenhuma a Menos”, que nasceu com o Ato de Repúdio ao Feminicídio realizado no início de fevereiro, após a morte da bailarina Maria Glória Poltronieri. São mais de 30 mulheres à frente do movimento, que não se dissolveu após a manifestação e agora está prestes a se tornar uma associação.

Citando Martin Luther King, Evelin Cavalini diz que tem um sonho e que ele, finalmente, começou a tomar forma. “Quando eu vi que o movimento Nenhuma a Menos não ia morrer, que não ia ser só pela Magó, e que finalmente as mulheres acordaram, eu percebi que não haverá um vácuo de tempo não-feminista. Acredito que ele está plantado socialmente e que não haverá mais um tempo em que ninguém nunca ouviu falar dele”, destaca.

Mas segundo a palestrante, a luta das mulheres por igualdade está longe de terminar. “Nós ainda estamos longe porque não ocupamos os lugares de poder, e essa é a próxima pauta. Precisamos ocupar 50% do poder político de todo o Brasil e de todo o mundo, porque precisamos de mulheres determinando pautas de mulheres. Precisamos de mulheres como CEOs de empresas, como líderes. Precisamos de representatividade”.

Neste final de semana e ao longo do mês de março, Maringá terá uma série de eventos do Dia da Mulher. Para conferir a programação, clique aqui.

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