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28 de março de 2026

Idoso atacado por pitbulls em Maringá tenta reconstruir rotina após perder braço e não lembra do ataque


Por Brenda Caramaschi Publicado 28/03/2026 às 08h14
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José Cardoso Franco, atacado com pitbulls no dia 19 de fevereiro, não consegue se lembrar sobre o momento do incidente e começou a dar os primeiros passos recentemente, mesmo com os pés ainda feridos. / Foto: Solange Fontola

O aposentado José Cardoso Franco, de 79 anos, que foi atacado com pitbulls no dia 19 de fevereiro, em Maringá, começa a retomar a rotina, semanas após o caso, que ganhou repercussão pela gravidade dos ferimentos, deixou sequelas físicas e também lacunas na memória do idoso. José teve o braço esquerdo amputado e sofreu diversas mordidas pelo corpo. 

Mesmo fora do hospital, ele ainda precisa de cuidados diários. Curativos são realizados regularmente no braço amputado, no braço direito, que também foi bastante ferido,  e nos pés, onde há lesões profundas que seguem em tratamento. Aos poucos, com ajuda, ele voltou a dar pequenos passos, mas ainda não consegue caminhar de maneira firme.

Idoso não se lembra do momento do ataque

Apesar das limitações físicas, segundo a família, a recuperação cognitiva apresenta um aspecto curioso: José reconhece familiares, amigos e lembra de fatos do passado, mas não consegue se recordar do que aconteceu no dia do ataque dos pitbulls. “A cabecinha dele ficou bem confusa depois do acidente. Ele não lembra de nada”, relatou Solange Fontolan, neta da esposa de José, com quem o casal mora há mais de uma década.

Antes da tragédia, o idoso levava uma vida considerada ativa, mesmo já aposentado. Conhecido no bairro como “Zé da Porta”, ele construiu a trajetória profissional como marceneiro e, posteriormente, trabalhando por muitos anos com instalação de portas. Embora já não exercesse mais a profissão de forma regular, ainda aceitava pequenos serviços para pessoas próximas. Foi justamente ao atender a um pedido insistente de um conhecido que José acabou se expondo à situação que resultou no ataque dos . De acordo com os familiares, José relutou inicialmente, afirmando que já não trabalhava mais, mas decidiu ajudar “para não deixar cliente antigo na mão”. Ele foi vítima de um ataque de dois cães da raça pitbull, enquanto realizava um serviço de reparo em uma residência na Avenida Dr. Gastão Vidigal.

Durante o trabalho, os animais, que estariam amarrados no local, conseguiram se soltar e avançaram contra o idoso quando o dono do imóvel saiu do local. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil. O proprietário do imóvel onde ocorreu o ataque prestou depoimento e afirmou que não se exime da responsabilidade pelo ocorrido.

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Após o ataque dos pitbulls, o aposentado presica de ajuda para realizar atividades básicas, como tomar banho e se locomover. / Foto: arquivo GMC Online

Antes do ataque dos cães, o aposentado mantinha uma rotina independente: cuidava do quintal, varria as calçadas e fazia compras a pé. Hoje, a realidade é outra. José precisa de ajuda para atividades básicas, como se alimentar, tomar banho e se locomover. A esposa, de 89 anos, assumiu parte dos cuidados, com apoio da família. Além do impacto emocional, o caso também trouxe dificuldades financeiras.

A família arca com custos de medicamentos, curativos e já prevê despesas futuras com a possível colocação de uma prótese. Segundo a neta, o responsável pelos pitbulls chegou a procurar a família um dia após o ataque, quando devolveu um relógio de José que havia ficado no local. No entanto, desde então, não houve novos contatos. O caso está sendo acompanhado por um advogado, e a família aguarda os desdobramentos legais. Enquanto isso, José segue em recuperação, cercado pelos familiares, tentando reconstruir a própria rotina, marcada por pequenos avanços diários.

A reportagem tentou contato com o tutor dos pitbulls, mas até o fechamento da matéria, não houve retorno.

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