Inspirada em Minecraft, estudante de 10 anos de Maringá se torna a mais jovem autora de artigo científico do Brasil


Por Thiago Danezi

Com apenas 10 anos, a estudante maringaense Manuela Pinto Soares alcançou um feito raro até mesmo entre adultos: tornou-se a mais jovem brasileira a assinar um artigo científico publicado. O reconhecimento veio com a entrada no RankBrasil, o livro dos recordes nacionais, após o trabalho desenvolvido quando ela tinha apenas 9 anos e 10 meses.

Estudante de Maringá, de 10 anos, entra para o RankBrasil como a mais jovem do país a publicar um artigo científico. Conheça a história e a pesquisa inspirada no Minecraft. Foto: Arquivo pessoal

Apaixonada por leitura, ciência e música, Manuela já demonstrava curiosidade e criatividade desde muito cedo, mas foi a partir de um interesse aparentemente comum entre crianças que nasceu uma pesquisa digna de destaque acadêmico.

Do jogo para a ciência: como surgiu a pesquisa

A ideia do artigo surgiu a partir do universo do jogo Minecraft, um dos favoritos da estudante. Segundo a professora de Ciências, Poliana Barbosa da Riva, a proposta partiu da própria Manuela, que já demonstrava interesse por pedras e minerais.

O trabalho consistiu na análise e comparação de rochas e minérios presentes no jogo com suas versões no mundo real. A partir de reuniões mensais, leituras orientadas e atividades práticas, o projeto foi ganhando forma até se tornar uma pesquisa estruturada.

Foto: Arquivo pessoal

Durante o processo, Manuela manteve um diário de bordo com todas as etapas do estudo. Ela também visitou o Museu de Geologia da UEM, onde teve contato direto com profissionais da área e aprendeu, na prática, como funciona o trabalho de um geólogo.

Rotina intensa e estímulo desde a infância

O gosto pelo conhecimento não surgiu por acaso. De acordo com a mãe, Nina Pinto Soares, o incentivo à leitura começou ainda nos primeiros meses de vida. Desde os nove meses, Manuela tinha o hábito de ouvir histórias diariamente antes de dormir, prática que se mantém até hoje. Com o tempo, o interesse evoluiu para a escrita. Ainda criança, ela produzia seus próprios livrinhos em folhas de papel e, posteriormente, chegou a publicar uma obra infantil.

Foto: Arquivo Pessoal

A rotina atual da estudante inclui escola, leitura constante e diversas atividades, como esportes e artesanato. Mesmo com uma agenda cheia, ela mantém o entusiasmo pelos estudos e desafios.

Reconhecimento e impacto além da sala de aula

O artigo científico passou por avaliação de especialistas, incluindo mestres e doutores, e foi publicado após cumprir todas as etapas exigidas no meio acadêmico. Antes disso, o projeto já havia sido apresentado na feira FICiências, em Foz do Iguaçu, onde recebeu menção honrosa. Para a professora Poliana, a conquista vai além do reconhecimento individual. “Estimular a educação científica desde cedo contribui para formar crianças mais críticas, reflexivas e conscientes do mundo ao seu redor”, destacou.

Foto: Arquivo pessoal

A história de Manuela também tem inspirado outros alunos. Projetos como clubes de ciências nas escolas ganham ainda mais relevância diante de exemplos como o dela, que mostram que a produção científica pode começar muito antes da universidade.

Uma trajetória que está só começando

Apesar do feito impressionante, Manuela segue sendo uma criança com interesses diversos e uma curiosidade sem limites. Já pensou em ser cientista, cogitou ser astronauta e continua explorando novas ideias.

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