Ao ouvir qualquer barulho de carro parando no portão de casa, Gislaine Werlang Nascimento, de 38 anos, já corre para a frente de casa na esperança de rever a irmã Graciane da Silva Bandeira, desaparecida há 15 anos em Paiçandu, na região metropolitana de Maringá. Graciane tem hoje 33 anos. Gislaine é uma das muitas pessoas que dia a dia convivem com o drama de ter um familiar desaparecido há anos.
“Continuamos as nossas buscas pela Graciane. Continuamos viajando. Onde aparecem pistas eu vou atrás. Teve denúncia que ela estava em Rio do Sul, em Santa Catarina, morando na rua e eu fui atrás. Tenho buscado em vários lugares. Mesmo sem dinheiro sempre tem alguém que me ajuda”, disse a irmã que não perde a esperança de rever Graciane.
Tráfico de pessoas
Graciane desapareceu no dia 10 de outubro de 2005 e a família acredita que a jovem tenha sido vítima do tráfico de pessoas. Ela estava em casa dormindo pela manhã quando, segundo a família, sequestradores teriam levado a jovem.
A mãe de Graciane, dona Graciete da Silva Bandeira, de 56 anos, teve um pressentimento a caminho do trabalho e ao voltar para casa não encontrou mais a filha. Uma vizinha disse à família que ouviu a jovem pedir socorro, mas não encontraram nada. Desde então, a mãe de Graciane enfrenta várias crises de ansiedade e depressão e só consegue sobreviver à base de medicamentos.
Gislaine já não sabe mais onde pedir ajuda para tentar encontrar a irmã e fazer a mãe voltar a sorrir.
Pista
A última pista que tiveram forte da jovem foi de uma garota que estava internada em um hospital em Belém, no Pará, mas quando a família conseguiu a viagem a jovem desapareceu do hospital.
“A gente foi e não resolveu nada. Lá em Belém ninguém me ajudou. O Sus de lá não me ajudou e até me ameaçaram de me processar. Vou continuar divulgando a moça do hospital porque até hoje nenhuma família reclamou ainda que a moça tem família. A gente acredita que seja a Graciane”, disse a irmã que não perde as esperanças.
A Polícia Civil de Paiçandu e do Paraná fez várias operações na época para tentar localizar a jovem. Uma equipe de investigadores chegou a fazer viagens para a capital em busca de informações, mas nenhuma pista foi encontrada. O inquérito está parado por falta de informações e a família lamenta.
“A gente procura a polícia e eles dizem que não tem dinheiro para ajudar. Recentemente recebi a informação de que minha irmã tinha sido assassinada e enterrada numa mata de água boa, mas a polícia civil de Paiçandu disse que não tem recurso e não tem o que fazer”, disse Gislaine.
Casos de crianças desaparecidas em Maringá em 1992 ainda são mistérios
O mês de março de 1992 foi muito difícil para duas famílias de Maringá, que viram desaparecer duas crianças na cidade. Os dois meninos nunca mais foram vistos. Não há pistas e a angústia de quem tem um familiar desaparecido é grande.
Ednilton Palma e José Carlos Santos são os dois únicos casos de crianças menores de 12 anos de Maringá que constam no Sistema de Pessoas Desaparecidas da Polícia Civil do Paraná.
Entretanto, a irmã de Ednilton Palma não perde a esperança de um dia poder rever o irmão adotivo, desaparecido em Maringá. Suely Palma Stadler, de 64 anos, disse que não consegue se esquecer do dia em que o irmão sumiu no Conjunto Lea Leal.
“A gente não esquece. É uma dor e uma angústia que fica ali sempre nos maltratando. É muito difícil. Ele era uma criança muito alegre, ativa, tanto que no dia que ele desapareceu ele estava indo me encontrar na igreja mas desapareceu sem deixar nenhuma pista”, desabafa Suely.
Ednilton Palma tinha apenas 10 anos na época em que foi dado como desaparecido. A família não tem ideia do que possa ter ocorrido. O caso foi investigado, mas até hoje não se tem pistas do que aconteceu com o menino.
“Nadinha. Nem notícia falsa temos. Nada, nada, nada. Estamos no escuro ainda. É algo que está no ar. Você não sabe se está vivo, se está morto, o que aconteceu com ele. A gente entrega nas mãos de Deus porque não tem o que fazer”, disse a irmã do desaparecido.
Polícia Civil continua investigando os desaparecimentos de Maringá
O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) informou que os dois casos de Maringá continuam sendo investigados. No entanto, não se houve mais pistas e nem informações do paradeiro de Ednilton Palma e José Carlos Santos.
Segundo os investigadores do Sicride sempre que surgem informações, por meio de denúncias anônimas na internet, as equipes vão a campo apurar, mas no momento os dois casos de Maringá seguem sem solução e sem novas informações.
Ajude
Para denunciar qualquer tipo de informação de pessoa desaparecida no Paraná basta ligar para o telefone 181, da Polícia Civil. No caso das crianças, no site do Sicride tem informações e fotos de crianças desaparecidas. Clique aqui e acesse.