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11 de fevereiro de 2026

Meninas e mulheres na ciência ganham protagonismo em Maringá


Por Brenda Caramaschi Publicado 11/02/2026 às 11h39
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O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência chama atenção para a necessidade de ampliar a presença de mulheres nas áreas científicas e tecnológicas. / Foto: arquivo pessoal Larissa Bahls, professora do Programa de Pós-Graduação em Biociência e Fisiopatologia da Universidade Estadual de Maringá e responsável técnica pelo Laboratório de Imunogenética (Imunogen).

Celebrado em 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência reforça a importância da participação feminina na produção científica e no desenvolvimento de soluções para a sociedade. A data chama atenção para a necessidade de ampliar a presença de mulheres nas áreas científicas e tecnológicas, historicamente marcadas por desigualdades de gênero.

Em Maringá, exemplos dentro das escolas e das universidades mostram que essa realidade está em transformação, com meninas ocupando cada vez mais espaço em clubes de ciência, programas de iniciação científica e laboratórios de pesquisa e com mulheres avançando na produção desse conhecimento. Um exemplo é o de Maria Eduardo Xavier Cruz, estudante do terceiro ano do Colégio de Aplicação Pedagógica (CAP) da UEM, que aos 16 anos já acumula três projetos científicos desenvolvidos. Integrante do programa de Altas Habilidades, do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) e do Clube de Ciências, ela conta que o interesse pela ciência surgiu ainda na infância, movido pela curiosidade. 

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“Sempre quis entender o porquê das coisas”, diz Maria Eduardo Xavier Cruz, que aos 16 anos já acumula três projetos científicos desenvolvidos. / Foto: arquivo pessoal

“Desde pequena eu sempre quis entender o porquê das coisas. Cientificamente, comecei no oitavo ano, quando fui chamada para participar do programa de Altas Habilidades”, relata. O primeiro projeto foi sobre o uso de plantas medicinais, com a proposta de implantação de uma horta vertical na escola e a criação de um catálogo informativo. Em 2024, Maria aprofundou as pesquisas em duas frentes: a pressão estética feminina, com a proposta de um aplicativo de apoio, e a relação entre o homem e a apicultura, por meio do PIBIC na área de Zootecnia. Já em 2025, uniu os conhecimentos adquiridos e desenvolveu, ao lado de uma colega, o projeto “Abelhas de Beleza: uma jornada sustentável da colmeia à pele”. 

A iniciativa resultou na criação de cosméticos sustentáveis à base de mel, própolis e cera de abelha, com corantes naturais produzidos a partir do reaproveitamento de cascas de beterraba e cenoura descartadas na merenda escolar. O trabalho foi apresentado em feiras científicas em Guarapuava e Curitiba. “Viver o mundo da ciência é incrível. Ela molda tudo o que vivemos, desde como cuidamos da saúde até como planejamos o futuro”, afirma. Maria pretende seguir carreira na área da saúde, com foco em Farmácia, e destaca a tia, doutora em Biologia, como referência feminina na ciência.

Também estudante do CAP, Isadora Chirnev, de 17 anos, começou a participar do programa de Altas Habilidades ainda no quinto ano do ensino fundamental. Atualmente no terceiro ano do ensino médio, ela integra o Clube de Ciências e desenvolveu um projeto voltado à educação financeira para crianças. A proposta resultou na criação de um livro lúdico, com conceitos básicos de finanças explicados de forma didática para alunos de 9 e 10 anos. O trabalho foi selecionado para a Feira de Ciências e Cultura da Secretaria de Educação, em Curitiba. “Foi muito gratificante ver as crianças interessadas e perceber que minha pesquisa realmente estava ajudando no aprendizado”, conta. 

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Isadora Chirnev, ao lado de uma parceira de pesquisa, mostra um livro lúdico, com conceitos básicos de finanças explicados de forma didática para alunos de 9 e 10 anos. / Foto: arquivo pessoal

Isadora também observa uma mudança significativa na participação feminina ao longo dos anos. “Quando entrei nas Altas Habilidades, a maioria era de meninos. Depois da pandemia, isso mudou completamente. Hoje as turmas são bem mais equilibradas, e vemos muitos projetos incríveis desenvolvidos por meninas, inclusive sobre temas como feminicídio e pressão estética”, destaca.

Se nas escolas o interesse pela ciência cresce entre as meninas, na universidade as mulheres também ocupam papel de destaque. A farmacêutica Larissa Bahls, professora do Programa de Pós-Graduação em Biociência e Fisiopatologia da Universidade Estadual de Maringá e responsável técnica pelo Laboratório de Imunogenética (Imunogen), atua nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. Segundo ela, a curiosidade é a base da carreira científica, mas o compromisso social é o que sustenta a trajetória. “A ciência tem um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida das pessoas, especialmente na área da saúde”, afirma.

No laboratório, Larissa orienta pesquisas que envolvem desde o desenvolvimento de técnicas de biologia molecular para diagnóstico até a busca por marcadores de doenças complexas, como câncer e doenças autoimunes. Mais recentemente, a equipe passou a trabalhar com ciência de dados aplicada a transplantes, desenvolvendo algoritmos capazes de prever desfechos em transplantes renais e auxiliar médicos na tomada de decisões. Além da pesquisa, o laboratório presta serviços na área de histocompatibilidade, realizando exames pré-transplante de medula óssea e rim. “A gente respira ciência no laboratório. Precisamos validar e aperfeiçoar metodologias constantemente para garantir resultados exatos e de qualidade”, explica. Para a professora, as mulheres têm sido protagonistas no avanço científico brasileiro. “Grande parte dos estudos é liderada por mulheres. Apesar dos desafios estruturais, as cientistas brasileiras vêm conquistando representatividade e mostrando a qualidade da ciência que produzem”, ressalta.

O cenário observado em Maringá acompanha um movimento nacional e internacional de incentivo à participação feminina na ciência. A própria criação do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência reforça a necessidade de estimular vocações desde cedo, combater estereótipos e ampliar oportunidades. Nas salas de aula do CAP e nos laboratórios da UEM, o que se vê é uma geração de meninas que não apenas ocupa espaço, mas propõe soluções sustentáveis, desenvolve tecnologias e pesquisa temas sociais relevantes. Como resume Maria, estudante do ensino médio que já soma apresentações em feiras científicas estaduais: “A ciência não é só teoria, é prática. E quanto mais mulheres pesquisadoras, quanto mais ciência estiver em nossa vida, melhor”.

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