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01 de março de 2026

Modelo maringaense que ficou paraplégica transformou dor em propósito


Por Brenda Caramaschi Publicado 01/03/2026 às 09h43
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A modelo maringaense Sarah Bueno foi baleada durante um assalto a um ônibus e ficou paraplégica. “Aquele tiro mudou tudo”. / Foto: arquivo pessoal

A biomédica e modelo Sarah Bueno, transformou a própria dor em propósito. Moradora de Maringá desde a infância, ela teve a vida drasticamente alterada em maio de 2018, quando foi baleada durante um assalto a um ônibus que fazia o trajeto entre São Paulo e Brasília. 

O caso ganhou repercussão nacional, e, para Sarah, aquele tiro mudou tudo. Sarah tinha 21 anos e viajava a trabalho. O coletivo foi interceptado próximo a Cristalina (GO) e houve troca de tiros entre assaltantes e um policial à paisana que estava entre os passageiros. A jovem foi atingida no tórax e na coluna por um disparo que partiu da arma do policial, que reagiu ao crime. 

Três pessoas morreram na ação. Sarah foi socorrida e encaminhada a Brasília, onde permaneceu internada por cerca de dois meses e meio. A lesão medular a tornou paraplégica.

“Eu me tornei uma pessoa com deficiência depois do que aconteceu”, afirma. Entre desafios físicos e emocionais, ela diz ter encontrado na fé a base para reconstruir a própria trajetória. “Naquele momento, fiz uma prece bem baixinha para continuar viva. E prometi que não reclamaria. Através de mim, outras pessoas seriam transformadas”. De volta a Maringá, Sarah decidiu investir ainda mais na formação acadêmica. Concluiu a graduação em Biomedicina após o acidente, tornou-se neuropsicoterapeuta e iniciou pós-graduação em Estética Avançada, com o sonho de abrir a própria clínica. Paralelamente, passou a compartilhar a própria história em palestras pelo país, levando reflexões sobre superação, inteligência emocional e resiliência a empresas, instituições e grupos de mulheres.

A trajetória inspirou o livro “Delicadamente Forte”, escrito em coautoria. A obra reúne o relato de Sarah e também o de Lorraine, jovem que perdeu os movimentos aos 21 anos após um problema de saúde súbito. Enquanto Sarah afirma não ter enfrentado depressão ou crises de ansiedade ao ficar paraplégica, Lorraine passou por um período de depressão e pânico. “Cada pessoa ive o enfrentamento de uma forma diferente. O importante é conseguir atravessar o processo”, resume.

A história também ganhou os palcos com a palestra “A Arte de Ser Resiliente”, onde Sarah compartilha aprendizados sobre fé, disciplina e reconstrução. A mensagem central é clara: a deficiência faz parte da história, mas não define limites. 

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Nas palestras que faz, Sarah deixa claro que a deficiência faz parte da história, mas não define limites. / Foto: arquivo pessoal 

Antes de ficar paraplégica, ela atuava como modelo de passarela. Após a lesão, afastou-se das câmeras por acreditar que aquele espaço não seria mais para ela. “Eu não conseguia mais trabalho. Foi quando as palestras e o livro também se tornaram uma forma de me sustentar”, conta. Sarah voltou a fotografar, mas diz que o mundo da moda ainda não é tão inclusivo para PCDs, algo que ela sabe que pode e deve mudar. “Voltei a atuar como modelo em projetos inclusivos usando a minha imagem para inspirar outras mulheres a assim se enxergarem como mulheres fortes bonitas, merecedoras de ocupar qualquer lugar no mundo.  E minha missão hoje é mostrar que a deficiência não define limites. Ela faz parte da minha história, mas nunca foi o meu fim. Quero mostrar que tá tudo bem ser uma mulher com deficiência, estar no mundo da moda, fotografar campanhas, se sentir bonita, confiante.  Eu realmente quero que outras mulheres olhem pra mim e pensem que elas também podem”.

Sarah protagonizou o clipe “Prece”, inspirado na oração que fez ao ser baleada. A produção revisita o episódio do assalto e reforça a mensagem de que é possível ressignificar a dor. “Quero redefinir o conceito de beleza. Mostrar que está tudo bem ser uma mulher com deficiência, fotografar, estar na moda, ocupar qualquer lugar”, afirma.

O tiro que mudou o rumo da vida de Sarah também redefiniu os objetivos. Entre estudos, atendimentos, livros e palestras, ela segue determinada a reconstruir a própria história e a ajudar outras pessoas a acreditarem na própria força.

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