‘Na guerra, você aprende a valorizar cada dia vivo’: maringaense volta ao Brasil após quase nove meses em combate na Ucrânia


Por Thiago Danezi
WhatsApp Image 2026-01-27 at 13.30.03
Foto: Arquivo pessoal

O maringaense sargento Dias, de 33 anos, retornou recentemente ao Brasil após passar quase nove meses em combate na guerra da Ucrânia. Instrutor militar e de defesa pessoal, ele integrou um grupo de operações especiais formado por brasileiros e participou de missões em regiões estratégicas do conflito, incluindo a área de Kupiansk, próxima à fronteira com a Rússia.

Antes de seguir para o front europeu, Dias atuava como instrutor credenciado pela Polícia Federal, ministrando treinamentos para forças de segurança pública e privada, clubes de tiro e empresas de segurança. Também é instrutor de Krav Maga e Muay Thai, além de desenvolver projetos voltados à defesa pessoal feminina, em resposta ao aumento dos casos de violência contra mulheres.

Grupo brasileiro em operações especiais

A decisão de ir para a Ucrânia surgiu após convite de um amigo que já estava no país e organizava uma equipe de operações especiais composta apenas por brasileiros, o Ares Group. Dias chegou ao país após dois meses da formação do grupo e passou por um rigoroso período de treinamento, que envolveu preparo físico, psicológico e tático, com exercícios em condições extremas, uso de armamento pesado e simulações de combate real.

https://gmconline.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Video-2026-01-27-at-13.42.11.mp4

Ele iniciou como recruta, foi promovido a soldado, depois a cabo, e, posteriormente, tornou-se o sexto sargento da equipe. Segundo o militar, o treinamento era considerado um dos mais exigentes, com atividades diárias sob carga, privação de sono e pressão psicológica constante.

Durante o tempo em combate, o sargento participou de cinco missões consideradas bem-sucedidas, incluindo operações na região de Kupiansk, onde a equipe brasileira atuou na retomada de áreas que estavam sob controle russo há cerca de dois anos. O grupo chegou a operar em florestas e vilarejos estratégicos, avançando em territórios disputados e realizando missões de reconhecimento, intervenção e inteligência.

1/2
2/2

Ainda ao Portal GMC Online, Dias relatou que enfrentou confrontos diretos com forças russas, inclusive ataques com drones e combates em curta distância. Segundo ele, as duas últimas missões foram confrontos reais e intensos. O militar também relatou a perda de quatro colegas de equipe durante as operações, destacando o impacto emocional das baixas no grupo.

O contingente do qual fazia parte era composto exclusivamente por brasileiros, com cerca de 35 a 40 combatentes integrados à Guarda Nacional da Ucrânia. O dia a dia no front era marcado por vigilância constante, alertas 24 horas por dia e poucas horas de descanso. “Dormir era muito difícil. A gente vivia em estado de atenção o tempo todo. O psicológico é primordial, muitos não aguentam e desistem nos primeiros meses”, afirmou.

Retorno ao Brasil e novos projetos

Apesar de o contrato prever três anos de atuação, o sargento decidiu retornar ao Brasil após atingir seus objetivos pessoais e profissionais. Ele também relatou problemas com pagamentos durante o período no exterior, afirmando ter tido prejuízos financeiros, embora ressalte que a experiência adquirida e o currículo internacional foram decisivos para sua decisão de ir ao conflito.

https://gmconline.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Video-2026-01-27-at-13.42.34.mp4

De volta a Maringá, Dias pretende investir em uma empresa de segurança, voltada a eventos e proteção privada, além de seguir atuando como instrutor de armamento, tiro e combate corpo a corpo para forças de segurança e público privado. Ele afirma que a experiência na guerra mudou sua visão de mundo e trouxe uma nova perspectiva sobre a vida e a profissão militar.

Sair da versão mobile