‘Não é todo empresário que pensa igual’: dona de rede fecha lojas após polêmica do feriado em Maringá


Por Brenda Caramaschi
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Parte da equipe da rede de brechós maringaense cujas lojas estarão fechadas em 11 de maio, mesmo não sendo, por lei, feriado municipal. / Foto: arquivo pessoal

A polêmica envolvendo o feriado de aniversário de Maringá em 2026 ganhou um novo capítulo após a decisão da empresária Mariza Rezende, proprietária da rede de brechós DIG for Fashion, de manter suas lojas fechadas no dia 11 de maio, mesmo após a Justiça suspender a transferência da data comemorativa para a segunda-feira. A comemoração já havia sido transferida em anos anteriores para o primeiro dia útil subsequente, quando o 10 de maio caía em um sábado ou mesmo na sexta-feira, com a justificativa de não atrapalhar o comércio perto do Dia das Mães, mas esse ano, quando a data cai em um domingo, a mudança no calendário virou projeto de lei, aprovado pela Câmara Municipal – o feriado seria comemorado na segunda.

Mas uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), após ação da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), derrubou a medida ao considerar a alteração inconstitucional. Com isso, o comércio foi autorizado a funcionar normalmente na data. Apesar da liberação, Mariza decidiu manter as portas fechadas e gravou um vídeo comunicando essa decisão, que rapidamente viralizou nas redes sociais, ultrapassando 70 mil visualizações só na página pessoal da empresária e gerando debate entre comerciantes e consumidores. 

O posicionamento também foi interpretado como uma resposta à postura de entidades como a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), que se posicionaram contra a mudança do feriado sob a justificativa de prejuízos econômicos na ordem de R$ 63 milhões caso o feriado fosse mantido em um dia útil.

Em entrevista ao GMC Online, a empresária afirmou que não esperava tamanha repercussão, mas considerou importante se posicionar publicamente. “Não é todo empresário que pensa igual. A gente construiu um acordo com o nosso time e quis mostrar que dá para fazer diferente”, disse.

Segundo ela, a decisão foi baseada no compromisso previamente firmado com os colaboradores, que já haviam se organizado para a data considerando o feriado na segunda-feira. “Eu era CLT. Eu comecei a trabalhar com 15 anos e eu trabalhei até os meus 30 anos com registro em carteira trabalhando para alguém e não faço com os outros o que eu não gostaria que fizessem comigo”, afirmou.

Mariza também criticou mudanças de última hora no calendário, classificando a decisão como arbitrária e prejudicial ao planejamento interno das empresas e dos trabalhadores. Para ela, o respeito ao time e a previsibilidade são fatores essenciais para a retenção de talentos. “O nosso maior ativo são as pessoas. Não adianta pensar só no ganho imediato e depois reclamar que está difícil manter bons funcionários. Na minha empresa, graças a Deus, não falta currículo”, destacou.

Apesar de manter lojas abertas aos domingos e em alguns feriados, a dona da rede de brechós de Maringá diz que a gestão é baseada em planejamento anual e acordos prévios com a equipe. / Foto: divulgação

A empresária explicou que a DIG for Fashion adota um modelo de gestão baseado em planejamento anual e acordos prévios com a equipe. A abertura em feriados e datas estratégicas, segundo ela, é definida com antecedência, incluindo compensações como pagamento de horas extras, folgas e escalas flexíveis. Um exemplo foi o feriado de Tiradentes, quando a loja que ela tem perto do Parque do Ingá, que faz parte do percurso da Prova Rústica que atraiu milhares de corredores, ficou aberta. No Dia do Trabalhador, no entanto, todas fecharam. Outro exemplo dado por ela é o aniversário de Londrina, celebrado em 10 de dezembro, quando as lojas da cidade abrem e a folga do feriado é compensada em 02 de janeiro, emendando com a folga do Ano Novo.

“Não sou contra trabalhar em feriado, mas sou contra decisões impostas de última hora. Todo mundo tem salário, todo mundo quer bater meta, eu preciso pagar conta, mas é sobre a forma arbitrária que a decisão foi tomada. Aqui, tudo é conversado. Quando há previsibilidade, todo mundo se organiza”, explicou.

Nos comentários do vídeo publicado, parte do público e de empresários apoiou a decisão, destacando a valorização dos trabalhadores, outros questionaram os impactos econômicos e a coerência da medida. Com 22 lojas distribuídas em 17 cidades e cerca de 80 colaboradores em Maringá, onde funciona também o centro de distribuição, a empresária afirmou que decisões como essa fazem parte de uma cultura organizacional baseada no diálogo. “Fico feliz de ter provocado esse questionamento. Se isso fizer as pessoas pensarem duas vezes antes de tomar decisões arbitrárias, já valeu”, concluiu.

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