O impacto da pandemia no setor de turismo


Por Drª. Juliana Franco Afonso
Imagem Ilustrativa | Foto: Arquivo/PMM

Já é de conhecimento de todos que a pandemia causada pela Covid-19 foi devastadora para o setor de turismo a nível mundial. Estudos da Organização Mundial do Turismo apontam que o setor deva levar de 5 a 7 anos para alcançar os níveis de crescimento de antes da pandemia.

Tudo vai depender de como o segmento conseguirá se adaptar as restrições impostas pelo isolamento social, as questões de segurança, ao uso de novas tecnologias na prestação de serviços e é claro a capacidade de cada governo de implantar rapidamente a imunização, importante para gerar novamente a confiança do consumidor.

Mas antes de relatar o que seria uma tendência para o setor em 2021, quero apresentar para vocês um diagnóstico do quanto a pandemia afetou o setor de turismo em nossa cidade de Maringá.

Avaliei sete grupos que fazem parte do setor de turismo: o segmento de alimentação, alojamento, agência de viagens, cultura e lazer, transporte rodoviário terrestre, transporte aéreo e aluguel de transporte, como o serviço de taxi.

Impacto no emprego

Segundo dados da Rais, em 2019 o setor empregava em torno de 7.856 trabalhadores com carteira assinada em Maringá. Com a pandemia, o setor passou a empregar em torno de 6.316 trabalhadores, uma queda de 19,6%.
O gráfico a seguir apresenta a evolução do Saldo de Emprego (n° de contratações – n° de desligamentos) dos últimos 7 anos:

Fonte: Caged

Podemos verificar que no ano de 2020 o setor fechou 1.540 postos de trabalho com carteira assinada. Isto representa uma redução de renda mensal em salários de aproximadamente R$ 2,77 milhões.

Mas qual o segmento do Turismo teve mais redução no emprego formal?

O setor de alimentação representado por bares, restaurantes, buffets foi o mais afetado. Do total de postos de trabalho fechados, 55% é deste seguimento, seguido pelo setor de transporte terrestre (24%) e alojamento (12%).

Em 2021 os segmentos de Alimentação e Alojamento continuaram apresentando baixas em relação ao saldo de emprego. No primeiro trimestre deste ano, o segmento de alimentação fechou mais 67 postos de trabalho e o de alojamento fechou 10 postos de trabalho.

Segundo estimativas da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), em 2020 foram fechados mais de 50 estabelecimentos do segmento de bares e restaurantes em Maringá, alguns com mais de 15 anos de história.

Impacto na arrecadação

A dificuldade econômica das empresas se reflete na arrecadação do município. Antes da pandemia, o setor vinha em uma tendência de crescimento que se reflete o aumento da geração de ISS no município. Em 2019 o setor gerou em torno de R$ 13,34 milhões de ISS, no entanto em 2020, o ISS gerado caiu para R$ 9,12 milhões, representando uma redução de 32%.

Cinco segmentos foram os que apresentaram a maior queda na arrecadação, são eles: As atividades de casas de eventos e festas apresentaram uma queda de 56%, alojamento 44%, Transporte de passageiros 43% e agência de viagens 39%.

O que esperar de 2021?

O turismo de negócios,  que compreende o deslocamento de pessoas com intuito profissional, seja para realizar reuniões de negócios  ou para participar de congressos, convenções, feiras e visitas técnicas, devem permanecer contidos. As reuniões e eventos devem continuar de forma híbrida. Segundo uma pesquisa da Oxford Economics, o turismo de negócios de forma presencial, só devem voltar de forma efetiva em 2024.

O turismo de lazer deve liderar a retomada do setor com foco em destinos remotos, mais reclusos, que proporcionam contato com a natureza. O turismo rural ganha destaque neste sentido, sendo uma oportunidade para a nossa região.

A gastronomia como está relacionado a lazer, deve voltar a crescer, principalmente com o aumento da vacinação da população e a consequente flexibilização das medidas restritivas e ampliação da confiança do consumidor.

Medidas de Segurança adotadas pelos estabelecimentos como: protocolos de limpeza, distanciamento social, inserção de novas tecnologias na prestação de serviços são fundamentais para a retomada do setor.

Destinos das viagens deve prevalecer o nacional, devido as medidas restritivas de outros países e a insegurança do consumidor, com destaque para destinos próximo a cidade de residência. Este olhar para o turismo local amplia a oportunidade para os estabelecimentos de nossa região.

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