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02 de fevereiro de 2026

Pesquisadores da UEM desenvolvem purificadores que eliminam qualquer tipo de vírus da água


Por Redação GMC Online Publicado 02/02/2026 às 09h39
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Foto: Reprodução

A água que chega às torneiras, embora passe por etapas de tratamento, nem sempre está totalmente livre de impurezas. À primeira vista, ela pode parecer tão cristalina quanto a que sai de um purificador doméstico, mas análises laboratoriais indicam a presença de resíduos deixados, muitas vezes, pelos próprios compostos químicos utilizados nos processos convencionais de desinfecção. 

A partir desse desafio, pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolvem sistemas de purificação baseados em elementos naturais. Os estudos são realizados no Laboratório de Gestão, Controle e Preservação Ambiental (LGCPA), coordenado pela professora Rosangela Bergamasco, e buscam soluções eficientes, ambientalmente responsáveis e acessíveis à população. 

Segundo a professora, o tratamento tradicional da água utiliza compostos como sulfato e cloreto de alumínio, que reagem com contaminantes e podem gerar subprodutos indesejáveis que permanecem na água mesmo após o processo de tratamento.  

No laboratório da UEM, as investigações envolvem atualmente combinações de cerca de 20 bioadsorventes, que são materiais naturais com capacidade filtrante, como zeólita, quartzo, casca de laranja e casca de noz. O objetivo é chegar a fórmulas que entreguem qualidade da água com o menor impacto ambiental possível e custo viável para o consumidor. “A gente trabalha com esses parâmetros: ter eficiência, mas que também seja acessível a uma faixa grande da população, garantindo custo e benefício”, afirma Rosangela. Ela reforça que o foco do laboratório é priorizar o uso de produtos naturais, para “agredir cada vez menos o meio ambiente e, ao mesmo tempo, ter água de qualidade.”.

Uma das principais inovações obtidas pela equipe é uma fórmula à base de carvão vegetal, prata e outros minerais, que removem qualquer tipo de vírus da água, inclusive os bacteriófagos, que se alojam em células bacterianas. A tecnologia já está disponível para a população por meio de parcerias com empresas do setor de purificação de água.  

A cooperação entre a universidade e a Purific, por exemplo, ultrapassa 15 anos e resultou em uma ampla gama de elementos filtrantes naturais capazes de reduzir a presença de flúor, metais pesados, cloro, pesticidas e outros contaminantes. A pesquisa mais recente, em desenvolvimento no laboratório da UEM, busca eliminar resíduos de fármacos presentes na água, um problema cada vez mais recorrente em ambientes urbanos.

Essa aproximação entre academia e indústria também gera vantagem competitiva para o setor produtivo. O diretor de marketing da Purific, Vagner Kodama, conta que os estudos desenvolvidos em conjunto com a UEM permitem alcançar um nível superior de desempenho nos produtos. “Todos os nossos concorrentes usam tecnologia que os fornecedores de matéria-prima colocam. Nós pegamos essa mesma tecnologia e, dentro da nossa indústria, com os estudos da universidade, conseguimos desenvolver produtos muito superiores em termos de qualidade final da água. Sem dúvida, isso é uma vantagem muito grande no nosso posicionamento de mercado”, afirma. 

Para Kodama, a integração setor público e privado ciclo um ciclo positivo. ““Através desse projeto, nós temos um tripé: a empresa, que recebe o suporte da pesquisa; a universidade, que consegue fomentar projetos científicos; e a comunidade, onde colocamos rapidamente as tecnologias à disposição da sociedade para aumentar a qualidade de vida e a saúde da população”, destaca. 

Ter acesso a água purificada significa ter mais saúde. Bergamasco lembra que a hidratação adequada é essencial para o funcionamento do cérebro, para o fortalecimento do sistema imunológico e para o bem estar geral. Segundo ela, muitos sintomas comuns do dia a dia, como cansaço, dor de cabeça, queda de rendimento e alterações de humor, podem estar associados à desidratação. “O que a gente precisa para o funcionamento dos nossos neurônios é água. Se a gente consome água com metais pesados, isso atrapalha a função das células. Por isso, é fundamental consumir água livre desses contaminantes para manter uma função fisiológica saudavel”, conclui. 

As informações são da UEM.br

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