
A nova corrida espacial entre Estados Unidos e China, impulsionada pelo programa Artemis II da NASA, voltou a despertar o interesse do público pela exploração da Lua e, em Maringá, esse movimento já reflete diretamente na procura pelo Planetário da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
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Em entrevista ao GMC Online, o professor doutor em Física e responsável pelo espaço, Marcos Cesar Danhoni Neves, detalhou o momento atual da exploração espacial, a disputa geopolítica entre potências e o impacto disso na visitação ao local.
Segundo o pesquisador, a retomada das missões lunares não é apenas uma repetição histórica da corrida espacial vivida entre EUA e União Soviética, mas um novo capítulo impulsionado por avanços tecnológicos e pela entrada de novos atores globais, como China e Índia. “Hoje há um novo interesse estratégico na Lua, especialmente por recursos como o hélio-3, que pode ser fundamental para a fusão nuclear no futuro”, explicou o professor na entrevista.
Artemis II e o retorno à Lua após quase 60 anos
O programa Artemis II, da NASA, marca o retorno de missões tripuladas à órbita lunar após cerca de seis décadas. A iniciativa remete diretamente às missões Apollo, especialmente a Apollo 8 e a Apollo 11, que abriram caminho para o primeiro pouso humano na Lua em 1969.
Durante a entrevista, Marcos Cesar relembra que a corrida espacial teve forte influência da Guerra Fria e destaca que, historicamente, os soviéticos tiveram papel decisivo nos primeiros avanços. “Os soviéticos foram os primeiros em praticamente tudo no início da exploração espacial: satélite, ser vivo no espaço e voo tripulado”, afirmou.
O professor também chamou atenção para o protagonismo crescente da China na exploração lunar. Segundo ele, o país asiático já realizou missões avançadas, incluindo pousos no lado oculto da Lua e coleta de amostras do solo lunar.
Entre os principais interesses atuais está o hélio-3, elemento raro na Terra, mas abundante na superfície lunar, considerado promissor para futuros reatores de fusão nuclear. “Há uma nova corrida em curso. E desta vez, a China aparece como protagonista em várias frentes”, destacou.
Planetário da UEM atrai público com experiências imersivas
Esse novo interesse pelo espaço também tem impacto direto em Maringá. O Planetário da UEM tem registrado aumento na procura por visitas, especialmente aos sábados, quando as sessões são abertas ao público.
De acordo com o professor, as sessões contam com cerca de 35 lugares e frequentemente ficam cheias. Durante a semana, o atendimento é voltado a escolas com agendamento prévio. A experiência, segundo ele, é totalmente imersiva: “É como fazer uma viagem pelo espaço. São filmes em primeira pessoa que dão a sensação de estar fora da Terra”, explicou.
Observatório e telescópios
Além do planetário, o complexo da UEM inclui o observatório astronômico, que está em fase final de estruturação e deve ser inaugurado em breve. O espaço permitirá observação direta do céu, complementando a experiência audiovisual do planetário.
O local contará com telescópios tradicionais e também com telescópios inteligentes, capazes de transmitir imagens em alta definição diretamente para celulares e computadores. Durante uma recente atividade aberta ao público, cerca de 200 pessoas participaram de uma noite de observação, registrando imagens da Lua, de Júpiter, da constelação de Órion e de nebulosas.
Um espaço que conecta ciência e curiosidade
Segundo Marcos Cesar Dagnone Neto, o impacto das atividades vai além da divulgação científica: desperta vocações. “Muitos alunos saem daqui querendo voltar. Alguns descobrem o interesse pela ciência aqui”, disse. Ele próprio relembra o impacto da missão Apollo 11 em sua infância, quando decidiu seguir carreira na física e na astronomia.