Prefeitura de Maringá apoia evento e contraria o próprio decreto


Por Monique Manganaro
Foto: Divulgação

O aumento de casos de covid-19 em Maringá nas últimas semanas levou a Prefeitura de Maringá a retomar medidas restritivas. Um decreto inesperado foi publicado na semana passada e afetou exclusivamente o setor de eventos. As novas regras impostas pela administração municipal para tentar conter o avanço da doença no município incluem, entre outras determinações, a proibição de eventos com público superior a mil pessoas. 

Desde a publicação do documento, que entrou em vigor na data em que foi divulgado – 19 de janeiro – e tem validade até 19 de fevereiro, a postura da Prefeitura de Maringá tem sido a de impedir a realização de eventos que terão mais de mil convidados e daqueles em que o público não pode ser controlado (e, portanto, uma capacidade máxima não possa ser prevista). 

As decisões do município levaram ao cancelamento de shows, festas de formatura e outros eventos privados que estavam agendados para as próximas semanas. Contudo, a realização de uma exposição de carros antigos, com presença de público, neste fim de semana, levantou questionamentos entre organizadores de eventos na cidade. 

A exposição reuniu colecionadores de veículos, comerciantes, além de dezenas de pessoas. A feira ocorreu na Praça Deputado Renato Celidônio e recebeu o apoio – além de liberação – da Prefeitura de Maringá. 

Relatos enviados à reportagem destacavam que, ao circular pelo evento, era possível confirmar que o encontro teve público superior a mil pessoas, o que está proibido na cidade desde que o decreto número 86/2022 entrou em vigor. Houve descumprimento, ainda, de ao menos mais uma determinação do documento: a comprovação de vacinação contra a covid-19 para maiores de 12 anos na entrada do evento. Segundo informações, a organização da feira não exigiu um certificado de imunização aos visitantes, conforme decretado pela Prefeitura de Maringá. O uso de máscaras no local também não era controlado, conforme relatos.

O questionamento foi: onde estava a fiscalização? “Lamentável”, disse o promotor de eventos, Luiz Gustavo Gonçalves. “A gente fica triste de ver o retrocesso que Maringá está passando, perto das outras cidades. Não tem motivo para limitar os eventos. Então 1.001 pessoas passam covid e menos não passam? Daí você vê evento com apoio da prefeitura que pode tudo e a gente não pode trabalhar, não pode ter a dignidade de fazer o que ama. A gente fica triste. Para eles não tem fiscalização”, disse.

O que diz a organização do evento

De acordo com um dos organizadores e expositores do evento, Braz Cláudio Garcia de Jesus, os encontros promovidos na cidade chegam a registrar público de até cinco mil pessoas ao longo de todo o dia. A feira deste domingo, 23, teve 460 carros cadastrados para exposição. 

Segundo ele, não é possível estimar o número exato de pessoas que visitaram o evento neste domingo, mas a organização estima que o público constante não passou de 700 pessoas. “O nosso evento teve 460 carros participantes e nós estamos falando de carro e motorista. Nós tivemos no evento, no máximo, 650 pessoas diretamente envolvidas, porque estava cada um com o seu carro e um ou outro que veio junto. O nosso público é rotativo. Não chegou a mil pessoas no evento. Sempre estava uma média de 700, 800 pessoas circulando. Então no fim do evento dá um público de cinco mil pessoas”, explica. 

Sobre a exigência de comprovação de vacinação contra a covid-19 na entrada do evento, o organizador afirma que não é possível exigir a carteira de imunização dos visitantes já que não se trata de um evento fechado. “Esqueceram que o pessoal está na rua, numa praça, um local público, aberto. Eu não posso cobrar a vacinação de ninguém ali. Meu evento não é fechado. Dos integrantes que vieram, eu pedi para todos que verificassem quem não tem vacinação para que não viesse ao evento para não ter problema e risco. As pessoas dos carros antigos, que estavam expondo, estavam com a carteirinha nas mãos. O evento estava dentro da legalidade, não havia nada errado”, garante. 

Promotores de eventos da cidade ainda questionam a Prefeitura de Maringá sobre a liberação de determinados eventos em que o público máximo de visitantes não pode ser controlado, o que ocorreu com a exposição organizada neste fim de semana. Conforme a categoria, outros eventos com as mesmas características tiveram os pedidos indeferidos. 

Maringá foi a única cidade do Paraná que adotou uma medida restritiva como essa para eventos.

O quer diz a Prefeitura de Maringá

A Prefeitura de Maringá informou por meio de nota que “os decretos obrigando uso de máscara e permitindo eventos com até mil pessoas em um mesmo espaço seguem em vigência na cidade, inclusive aquilo disposto no parágrafo único, artigo 1º, do Decreto n. 86/2022, que diz: “O organizador do evento ou da atividade descrita neste artigo deverá exigir que os participantes acima de 3 (três) anos de idade estejam usando máscaras, conforme determinado pelo artigo 3º da Lei Complementar n° 1285/2021 e pelo Decreto n° 19/2022.” Diante da reportagem, as imagens serão avaliadas pelo Município”.

Texto atualizado às 11h53 de 24/01/2022 para acrescentar a nota da Prefeitura de Maringá

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