Há mais de 100 anos, os japoneses escolheram o Brasil para chamar de lar. Em 18 de junho de 1908, o Kasatu Maru, navio com quase 800 pessoas, desembarcava no porto de Santos com famílias dispostas a trabalhar nos cafezais paulistas. Na bagagem, estavam sonhos e o desejo de constituir uma vida no novo país.
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Alguns anos se passaram e os japoneses, que antes se concentravam apenas no interior de São Paulo, descobriram a ainda incipiente Maringá, no noroeste do Paraná. Isso deu ainda no final da década de 1930. Mais de 80 anos depois, a cidade se consolida como uma das maiores comunidades nipônicas no país. E, agora, essa história vai virar documentário.
“Nihonjin: a saga nipônica em terras roxas” é uma produção do Maringá Histórica. Com gravações no Brasil e também no país asiático, o média-metragem pretende narrar, com riqueza de detalhes, os aspectos que conectam a Cidade Canção com a Terra do Sol Nascente.
As gravações terão início em abril, no Japão. O itinerário no país inclui gravações no porto de Kobe, de onde saíram as primeiras embarcações rumo à América do Sul, e Takamatsu, cidade que abriga o Parque Ritsurin, que serviu de inspiração para as pontes do Jardim Japonês do Parque do Ingá. Kakogawa, que tem relação de irmandade com Maringá, será outra cidade que servirá de locações.
A produção pretende contemplar diversos marcos históricos, desde a chegada dos primeiros imigrantes no noroeste do Paraná até a consolidação das tradições, por meio de diversas entidades, além da presença dos japoneses no comércio local e da relação diplomática, formalizada nos anos 1970 e fortalecida ao longo das décadas. A etapa brasileira do documentário tem gravações previstas para agosto, durante o Festival Nipo Brasileiro de Maringá.
Mais de dez pessoas estão mobilizadas na fase de pré-produção. Para o diretor e roteirista do filme, Miguel Fernando, valorizar a importância da comunidade nipônica em Maringá é fundamental para interpretar as relações internacionais e seus impactos na sociedade e na cultura local.
“Os japoneses foram e são fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico, não só de Maringá, mas do Brasil de modo geral. Mas aqui a gente dedica atenção a tudo que eles impactaram na cidade de Maringá, desde as primeiras organizações esportivas para preservação de esportes tradicionais, como o sumô, o beisebol e outros mais, até a criação de instituições culturais para também preservar as suas tradições, como a Socema, que depois vai se transformar na Acema. Queremos abordar outros momentos marcantes dessa ligação Brasil-Japão, como a visita Imperial na região em 1978 e a relação do templo budista de Maringá com um templo budista tradicional no Japão. O asilo Wajunkai também tem uma relação direta com ações diplomáticas”, explicou o diretor do documentário.
Miguel Fernando também propõe encontrar respostas a outras ações que se concretizaram, como é o caso do Parque do Japão de Maringá. “O espaço é o maior do gênero fora do Japão. Precisamos compreender o que a história da imigração japonesa em nossa cidade revela sobre esses projetos e parceiras realizados até aqui”.
A equipe de produção conta com a participação de figuras históricas da comunidade japonesa de Maringá, como Shiniti Ueta, filho de Kenji Ueta, que chegou em Maringá em 1951 para se tornar o primeiro fotógrafo da cidade. Muito conhecido no meio, Shiniti, ao lado do pai, desde a década de 1970 participa e lidera missões culturais e empresariais ao Japão. Atuando na produção executiva, vem auxiliando nas relações com autoridades e personalidades que concederam entrevistas em ambos os países.
Dentre os demais membros da equipe, destacam-se Hellen Braga, que atuará como diretora de fotografia, e Felipe Cosmos, que, além de cinegrafista, também integrará a etapa de pós-produção. Hellen Braga assinou filmes importantes ao longo de sua trajetória, como “O tempo das coisas”, “A cor do silêncio” e “Da janela vejo o mundo”. Da Cosmos Filmes, Felipe Cosmos produziu importantes longas metragens nos últimos anos, tais como “Maria do Ingá” e “Não volte para casa”.
A expectativa é que “Nihonjin: a saga nipônica em terras roxas” seja lançado em novembro deste ano, antecipando uma vasta programação de ações em prol do aniversário de 80 anos de Maringá, que ocorrerá em maio de 2027.