
A possibilidade de soltura de José Rodrigo Bandura reacendeu o medo vivido por Thaís Lacerda, vítima de uma tentativa de feminicídio registrada em junho do ano passado, em Maringá. Com 30% do corpo queimado após ser atacada pelo então marido, a mulher afirma estar desesperada diante da chance de o agressor deixar a prisão preventiva.
O crime aconteceu no dia 4 de junho de 2025, na casa onde o casal morava, no Jardim Oriental. Segundo a investigação, José Rodrigo jogou um líquido inflavável sobre Thaís e ateou fogo nela. Em desespero, a mulher correu pela residência tentando apagar as chamas e acabou se jogando na piscina para sobreviver.
“Meu medo é que ele venha atrás de mim e concretize o que ele quis fazer”, afirmou Thaís em entrevista. Ela contou que havia acabado de chegar do trabalho quando encontrou o marido visivelmente embriagado. A mulher disse não se recordar com clareza de toda a sequência da agressão, mas lembra do momento em que ele lançou o líquido inflamável e acendeu o fogo. “Eu só me lembro dele jogando o acendedor de churrasqueira na minha cabeça e no meu colo, pegou o isqueiro e ateou fogo”.
De acordo com Thaís, mesmo gravemente ferida, foi ela quem conseguiu acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A vítima foi socorrida em estado gravíssimo, entubada ainda na ambulância e transferida para a ala de queimados do Hospital Universitário de Londrina, onde permaneceu internada por 33 dias. A mulher ficou 11 dias inconsciente e hoje convive com sequelas físicas e emocionais. Entre as limitações, está o comprometimento dos movimentos do pescoço, além da possibilidade de precisar passar por novas cirurgias. “Mas o psicológico é o que mais afetou. Era uma pessoa que dizia que me amava, que queria constituir uma família comigo, e de repente acontece uma situação dessa”, conta.
Segundo Thaís, o relacionamento já era marcado por violência psicológica e ofensas verbais, embora ela só tenha reconhecido posteriormente que vivia em um relacionamento abusivo. “Ele me ofendia verbalmente e depois dizia que me amava. No próprio dia do fato, pela manhã, ele estava carinhoso. Depois começou a mandar mensagens ofensivas”. José Rodrigo Bandura foi preso em flagrante no dia do crime. Inicialmente, negou a autoria, mas depois confessou durante audiência de custódia e disse estar arrependido. A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Paraná, e ele se tornou réu por tentativa de feminicídio.
Mas a defesa dele recorreu, a Justiça deu provimento ao recurso e desclassificou o crime de tentativa de feminicídio para lesão corporal grave. O juiz da 1ª Vara Criminal agora decidirá a dosimetria da pena. A prisão preventiva de Rodrigo é analisada a cada três meses e a próxima análise é em 18 de junho, quando provavelmente a Justiça irá decidir a dosimetria da pena e se ele permanece ou não preso. Diante da informação, Thaís faz um apelo para que o acusado permaneça detido. “Eu espero que isso não ocorra de forma alguma. Que ele pague pelo que fez e que a Justiça olhe esse caso com todo o rigor que a lei exige”, afirmou.