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11 de abril de 2026

UEM desenvolve projeto inédito no Brasil com carne de coelho que surpreende pelo sabor: ‘lembra bastante o frango’


Por Thiago Danezi Publicado 11/04/2026 às 08h21
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Foto: Colaboração

Pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) estão à frente de um avanço inédito no Brasil que pode mudar o cenário da cunicultura. Após mais de dois anos de estudos, a equipe desenvolveu o primeiro protocolo nacional de ordenha de coelhas e agora entra na fase final da criação de um leite artificial para alimentar láparos, medida considerada essencial para reduzir a mortalidade de filhotes.

Em entrevista ao GMC Online, o professor doutor Leandro Castilha, do Departamento de Zootecnia, detalhou os bastidores do projeto e destacou o nível de complexidade envolvido na pesquisa.

Técnica inédita no país

Um dos principais desafios foi conseguir coletar o leite das coelhas em quantidade suficiente para análise. Isso porque, diferentemente de outros animais, a liberação do leite depende de estímulos específicos, como a sucção e o contato com os filhotes. “Foram meses de tentativa e erro até chegar ao protocolo ideal”, explicou o professor.

A solução encontrada pela equipe combina indução hormonal, estímulo natural dos filhotes e o uso de equipamentos adaptados de sucção. Com isso, os pesquisadores conseguiram coletar volumes significativos de leite, permitindo análises detalhadas da composição nutricional.

Leite artificial já tem fórmula definida

Com os dados em mãos, a equipe conseguiu avançar na formulação de um substituto lácteo. Segundo o professor, o leite de coelha tem características bastante específicas, com alto teor de gordura e baixa lactose, o que torna inviável o uso de alternativas comuns, como leite de vaca ou cabra.

“Hoje já temos a fórmula. Agora estamos na fase de produção e, depois, vamos testar a aplicação prática”, afirmou. Entre as soluções em desenvolvimento está um sistema que simula a amamentação natural, permitindo alimentar vários filhotes ao mesmo tempo — uma espécie de “ama de leite artificial”.

Produção e conhecimento

Atualmente, a UEM mantém um plantel com cerca de 600 coelhos na Fazenda Experimental de Iguatemi, em Maringá. O espaço reúne produção e pesquisa, com foco em genética, nutrição e manejo. Segundo o professor, além da estrutura, o principal diferencial está no conhecimento técnico desenvolvido ao longo dos anos. “O que mais falta na cunicultura no Brasil é informação de qualidade. A gente vê muita tentativa e erro no campo”, destacou.

Carne ganha destaque pela qualidade

Outro ponto abordado na entrevista foi o potencial da carne de coelho, ainda pouco explorada no país. De acordo com o professor, trata-se de uma proteína saudável, com baixo teor de gordura, sódio e colesterol, além de ser rica em vitamina B12 e aminoácidos essenciais.

“O sabor lembra o frango, mas é uma carne muito versátil. Ela absorve bem os temperos e pode ser preparada de diversas formas”, explicou. A aceitação do público também tem surpreendido. Em uma degustação recente no Restaurante Universitário da UEM, dezenas de quilos de carne foram consumidos rapidamente pelos estudantes.

Impacto direto na produção

A pesquisa busca resolver um dos principais gargalos da cunicultura: a mortalidade de filhotes no período de desmame, que pode chegar a cerca de 20%.

Com o desenvolvimento do leite artificial e novas técnicas de manejo, a expectativa é aumentar a taxa de sobrevivência dos animais e impulsionar a produção no país. Além disso, o avanço reforça o protagonismo de Maringá em pesquisas na área, colocando a cidade em destaque no cenário científico da cunicultura.

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