Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

23 de maio de 2026

Vídeo: Cedro histórico que fez Prefeitura desviar avenida em Maringá é removido após laudo apontar risco


Por Thiago Danezi Publicado 23/05/2026 às 11h03
Ouvir: 00:00
WhatsApp Image 2026-05-23 at 10.09.46
Foto: Carlos Emori | GMC Online

Um dos exemplares arbóreos mais emblemáticos de Maringá começou a ser removido na manhã deste sábado, 23. O histórico cedro localizado na Avenida São Paulo, nas proximidades da rotatória com a Avenida Senador Petrônio Portela, foi retirado pela Prefeitura de Maringá após laudos técnicos apontarem risco estrutural da árvore.

Vídeo encaminhado ao GMC Online mostra o momento da remoção do cedro, que por mais de duas décadas chamou a atenção de motoristas e moradores por permanecer no meio do traçado da avenida, obrigando um desvio no fluxo de veículos.

A retirada encerra um capítulo importante da história ambiental e urbana da cidade. Em 2004, o cedro chegou a ser alvo de uma disputa envolvendo poder público, ambientalistas e moradores, quando a então duplicação da antiga Avenida Gurucaia — hoje Avenida São Paulo — colocou a permanência da árvore em risco. Na época, a remoção do exemplar era considerada iminente. A árvore nativa ficava exatamente na área prevista para ampliação da via, o que gerou mobilização da sociedade civil para impedir o corte.

A ONG Funverde, liderada por Ana Domingues, acionou o promotor do Meio Ambiente, Manoel Ilecir Heckert, pedindo a preservação do cedro. O caso ganhou repercussão e, em fevereiro de 2004, o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema) declarou o exemplar como patrimônio público e imune ao corte, com base na legislação ambiental vigente.

A decisão obrigou a Prefeitura de Maringá a reformular o projeto viário. À época, chegou-se a cogitar até mesmo a construção de uma rotatória ao redor da árvore, proposta criticada por integrantes da administração municipal devido ao custo e à necessidade de desapropriações.

Com a repercussão e pressão popular — que incluía manifestações planejadas por organizações ambientais e até um “abraço simbólico” ao cedro — o município acabou optando por desviar a avenida, preservando a árvore. Desde então, o exemplar se tornou um símbolo da relação entre crescimento urbano e preservação ambiental em Maringá.

Laudos apontaram risco de queda

Segundo a Prefeitura de Maringá, avaliações recentes conduzidas por engenheiros florestais constataram que o cedro chegou ao fim do seu ciclo biológico. Os pareceres técnicos apontaram perda total de vitalidade, além de risco de desprendimento de galhos e eventual colapso estrutural. Ainda conforme o município, o laudo descartou sinais de envenenamento ou qualquer outro tipo de dano provocado externamente.

O diretor-presidente do Instituto Ambiental de Maringá (IAM), José Roberto Behrend, afirmou que a decisão busca conciliar a preservação da memória ambiental da cidade com a segurança da população.

“A história deste cedro merece ser respeitada. Por isso, além da avaliação técnica criteriosa que demonstrou a impossibilidade de sua permanência, construímos uma solução que permite preservar sua memória para as futuras gerações. O ciclo deste exemplar se encerra, mas sua história continuará sendo contada”, afirmou.

Já o secretário de Infraestrutura, Limpeza Urbana e Defesa Civil, Vagner Mussio, destacou que a remoção tornou-se inevitável diante do risco de queda. “Sabemos da importância histórica e afetiva desse cedro para Maringá, mas também temos por prioridade preservar vidas e garantir a segurança da população que circula pela região. Adotamos diversas medidas de segurança para a remoção da árvore”, explicou.

Novo cedro será plantado no local

Como medida compensatória, a Prefeitura informou que um novo exemplar da mesma espécie será plantado no local após a retirada do cedro histórico.

Além disso, o tronco da árvore será preservado e encaminhado temporariamente ao Parque do Ingá. Entre as possibilidades estudadas estão a manutenção em estado natural ou intervenções artísticas, conforme recomendação da Comissão Especial de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (CEPPHAC).

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação