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20 de março de 2026

Com incerteza global, Ibovespa cai 2,25% na sessão, no menor nível desde 22/1


Por Agência Estado Publicado 20/03/2026 às 17h50
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Em queda de mais de 2%, e retroagindo no fechamento ao menor nível desde 22 de janeiro, o Ibovespa voltou a sentir a aversão a risco global nesta sexta-feira, 20. Ainda sem desfecho para o conflito no Oriente Médio, a incerteza colocou o barril do Brent a US$ 112 no encerramento da semana de negócios em Londres, alimentando os receios quanto à inflação e os juros globais.

Assim como o petróleo, os rendimentos dos Treasuries se mantiveram pressionados nesta sexta-feira em Nova York, com as apostas sobre a retomada dos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sendo deslocadas, pelos agentes de mercado, para o último trimestre de 2027.

Na B3, o Ibovespa operou entre mínima de 175.039,34 e máxima de 180.305,22 na sessão, em que saiu de abertura aos 180.262,23 pontos. Ao fim, marcava 176.219,40 pontos, em baixa de 2,25%. O giro foi reforçado a R$ 49,5 bilhões em dia de vencimento de opções sobre ações.

Na semana, acumulou perda de 0,81%, ampliando o ajuste negativo do mês a 6,66% – o que o coloca, por enquanto, a caminho de seu pior desempenho desde fevereiro de 2023. No ano, reduz o ganho a 9,37%.

Foi a quarta semana consecutiva do Ibovespa em baixa, uma sequência negativa não vista desde dezembro de 2024. E, em porcentual, o desempenho desta sexta-feira foi o pior desde 12 de março, quando havia cedido 2,55%. Assim como os rendimentos dos Treasuries, houve avanço na curva do DI na sessão, pressionando em especial as ações com exposição a juros e ao ciclo doméstico, entre as quais construtoras como Cyrela (ON -7,60%, PN -8,93%) e MRV (-5,42%), na ponta perdedora do Ibovespa ao lado de Braskem (-14,21%), Vamos (-5,62%) e Natura (-5,54%).

Apenas cinco papéis da carteira do índice fecharam em alta: Prio (+3,14%), Vivara (+2,20%), Yduqs (+1,38%), Cemig (+0,41%) e Rede D’Or (+0,16%).

Entre as blue chips, mesmo com o Brent em alta de mais de 3% na sessão, Petrobras encerrou em baixa na ON (-2,39%) e na PN (-2,37%). Falas do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, no sentido de que o presidente Lula “mandou zerar impostos do diesel”, medida vista com cautela por governadores, acende alerta quanto a efeitos fiscais e também possíveis ingerências na estatal, em tarde de declarações públicas também da presidente da empresa, Magda Chambriard.

“Por mais que tenhamos controle de governança nas empresas e a lei das estatais, são falas péssimas, indicam risco de intervenção. E a MP que prevê um subsídio federal ao diesel pode dificultar aumento de preços pela Petrobras, o que reduz seu potencial de lucros”, avalia uma fonte de mercado.

Principal ação do Ibovespa, Vale ON caiu 1,41% e, entre os grandes bancos, as perdas desta sexta-feira chegaram a 2,47%, em Santander Unit. Em Nova York nesta sexta-feira, Dow Jones -0,96%, S&P 500 -1,51%, Nasdaq -2,01%, com piora do meio para o fim da tarde, que levou também o Ibovespa a mínimas da sessão.

O Irã ameaçou atingir locais de lazer e turísticos em todo o mundo e insistiu que continua a produzir mísseis, após as declarações da quinta-feira do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, de que a capacidade de reposição dos projéteis iranianos havia sido comprometida. Em outro desdobramento de peso, a rede norte-americana CBS reportou que o governo Trump está preparando o envio de tropas terrestres para o Irã, o que, se vier a se confirmar, significará uma escalada imprevisível em conflito que já pressiona muito os preços do petróleo e os rendimentos dos Treasuries. O Brent avançou pela quinta semana consecutiva, três das quais no contexto da guerra.

O preço do petróleo pode disparar e se manter em níveis médios de até US$ 120 por barril caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por um período de seis meses, segundo avaliação da Fitch Ratings. Em um cenário mais curto, de três meses de interrupção, o preço médio ficaria em torno de US$ 100 por barril, prevê a Fitch.

Por sua vez, o Goldman Sachs aponta, em relatório nesta sexta-feira, que a interrupção por três semanas no fornecimento de energia pelo Estreito de Ormuz, prevista nas projeções do banco, resultaria em queda de 0,3% no PIB global e em um aumento de 0,5% a 0,6% nos preços globais.

“Num cenário de perturbação de 30 dias, estimamos um impacto negativo de 0,5% no PIB global e um aumento de 0,9% nos preços globais”, acrescenta o Goldman Sachs, observando que os efeitos sobre o PIB e os preços “provavelmente” serão ainda maiores em caso de interrupção mais prolongada.

“O Ibovespa se distanciou dos 180 mil pontos com os novos desdobramentos no conflito do Oriente Médio, que está entrando na quarta semana e com preocupações que chegam, agora, também à integridade da infraestrutura de petróleo e gás, sob ataque de ambos os lados na região. Dia bastante tenso no mercado”, diz Bruna Centeno, economista na Blue3 Investimentos, destacando também a abertura dos vértices na curva de juros doméstica sob pressão da incerteza externa, em meio à intensificação da guerra.

Nesse contexto, o Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira mostra aumento do pessimismo do mercado financeiro em relação ao desempenho das ações no curtíssimo prazo. Entre os participantes, 37,50% preveem queda para o Ibovespa na próxima semana, porcentual bem maior do que os 11,11% da pesquisa anterior. Os que esperam alta são também 37,50%, fatia menor do que a de 44,44% na última edição. E a dos que projetam estabilidade caiu de 44,44% para 25,00%.

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