Cometa poderá dar espetáculo nos próximos dias no céu de Maringá e região

Foto: Wellington Carvalho
Pequenos corpos celestes bem curiosos, feitos de gelo e poeira, que vêm da fronteira do sistema solar e literalmente caem em direção ao sol. Essa é a definição de cometas dada pelo professor de matemática e astrônomo amador, membro do Clube de Astronomia Edmond Halley (Caeh), de Marialva, Maico Zorzan.
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Quando sobrevivem, os cometas são responsáveis por espetáculos no céu. E para os apreciadores da astronomia, a boa notícia é que esse show poderá ser visto em breve. O motivo é que o cometa Leonard, descoberto em janeiro deste ano, já se encontra visível nas madrugadas, por meio de binócolos, e as expectativas sobre ele são altas. “Pelo fato dele ainda estar íntegro, pela sua órbita e pela magnitude que está atingindo no momento”, justifica Maico.
Para a formação do espetáculo, a pedra de gelo e poeira se aproxima do sol e literalmente começa a derreter por causa do calor. Desse processo surgem duas caudas, uma de vapor d’água e poeira e outra de gases ionizados, que causam um efeito muito bonito e chama a atenção. “Quanto mais o cometa derrete, maiores ficam as caudas, que é justamente o que atrai na observação”, diz.
Caso o cometa Leonard sobreviva, será possível ver o espetáculo no céu na segunda quinzena de dezembro, já no início da noite, após o sol descer no horizonte.
Para Maringá, a expectativa é de um belo espetáculo, que poderá ser visto melhor na região noroeste da cidade, sempre após o pôr-do-sol. “Ficará visível pelo menos por uma semana. Mas a duração vai depender da sua magnitude”, diz.
O cometa Leonard se encontra atualmente em uma magnitude próxima de 7. A magnitude é o brilho aparente do corpo celeste com relação ao observador. Quanto menor a magnitude, mais brilhante, quanto maior, menos brilhante. “Nosso olho captura bem até uma magnitude de 7. Acima disso já temos dificuldade. A Lua, por exemplo, fica em – 3. Na magnitude 7 ele ficaria no limiar do olho humano. Se chegar em 5 ficará bem visível. Mas, quanto menor a magnitude, mais brilhante e interessante ele fica, e é o que estamos esperando acontecer, pois dependendo da magnitude só precisamos do nosso olho. Já tivemos cometas com brilho abaixo de 2”, relata Maico Zorzan.
Mas, o astrônomo sugere cautela, já que os cometas são corpos muito imprevisíveis e, ao se aproximarem do sol “tudo pode acontecer”, diz. Eles podem se destruir antes de chegar ao periélio do sol ou após passar por ele, sobreviver à aproximação máxima do sol mas serem atraídos e se jogarem dentro dele. Um cometa pode ainda se chocar com meteoros, meteoroides ou sofrer ação gravitacional do sol, júpiter e outros planetas. “Quando se aproxima do sol e racha seu núcleo, nada acontece, que é o que tem ocorrido nos últimos anos com inúmeros cometas”, esclarece.
Tempo para observar
Um erro comum das pessoas é achar que o cometa ‘risca’ o céu, a exemplo do que ocorre com os meteoros. Contudo, segundo Maico Zorzan, ele fica presente por um período de tempo, fazendo sua órbita no céu, assim como o sol e a lua. “Apesar de ser um corpo de orbita tericamente rápida, ele acompanha o sol, o que permite que seja observado durante horas, por vários dias”.
Como um cometa é descoberto?
O processo de pesquisa para a descoberta de cometas consiste na captura de várias fotos de uma mesma região do céu, por vários dias. Um software analisa se algum objeto está se movendo, e desse movimento é verificado se trata-se de um cometa, asteroide ou outro corpo celeste.
O astrônomo amador Maico Zorzan conta que no Brasil existe o Observatório Sonear, em MG, comandado por Cristovão Jacques, que tem no currículo a descoberta de alguns cometas, asteróides, incluindo o cometa Jacques, Sonear, entre outros. “Temos também o Leonardo Amaral, que de seu quintal no interior de São Paulo fez a descoberta do cometa C/2020 O2 Amaral ano passado. Temos muita gente fazendo ciência bem feita no Brasil”, relata.
Os nomes são dados de acordo com a época e o ano do seu descobrimento e fazem homenagem ao descobridor ou observatório que descobriu. O novo cometa, por exemplo, foi descoberto por Gregory J. Leonard, do Observatório do Monte Lemmon, localizado no estado de Arizona, nos Estados Unidos. “Por isso o nome dele é C/2021 A1 Leonard”, diz Maico Zorzan.
A volta do famoso cometa Halley
Por serem corpos celestes errantes, não é possível prever a descoberta de um cometa, nem quando serão visíveis após essa descoberta. “Não dá para ter uma previsão exata de como será a observação desse corpo celeste com o passar dos anos. É preciso avaliar constantemente, é a astronomia sendo feita momento a momento”, explica Zorzan.
Contudo, alguns cometas podem passar mais de uma vez próximo do Sol. É o caso do famoso cometa Halley, que passou no céu pela primeira vez em 1986 e já tem data para o próximo espetáculo: 2061. Isso porque, conforme Maico Zorzan, ele tem uma orbita bem definida, e é conhecido há muito tempo. “Inclusive temos calculada suas passagens desde a idade antiga. Foi para muitos o cometa que trouxe o fascínio pela astronomia”, diz.
História
O último espetáculo de um cometa ocorreu entre junho e julho do ano passado, do cometa Neowise, que pôde ser visto a olho nu no hemisfério Norte. Já no hemisfério Sul, o show mais recente foi em 2011, entre o Natal e o Ano novo, quando o cometa Lovejoy, descoberto por um astrônomo amador australiano chamado Terry Lovejoy, sobreviveu.
