Construtoras preparam lançamentos ao redor da nova sede do governo de SP no Centro
Os projetos de revitalização dos Campos Elíseos têm aumentado o interesse das incorporadoras pela região. Algumas já vinham explorando o mercado imobiliário por ali e decidiram agora acelerar o passo. Outras estão sendo atraídas pelas promessas de mudanças.
A revitalização do Centro de São Paulo virou uma das principais bandeiras do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A principal iniciativa envolve a construção da nova sede do governo na região, projeto levado a leilão com sucesso em fevereiro.
O novo complexo terá investimentos de R$ 6 bilhões para construção de sete prédios de escritórios nos entornos da Praça Princesa Isabel até 2031. Quando pronto, reunirá 22 mil servidores públicos, com a expectativa de estimular o comércio e as moradias na vizinhança.
Outra promessa é o reassentamento dos moradores da Favela do Moinho. Segundo o governo estadual, mais de 80% das famílias já deixaram o local, onde será construído um parque público e uma estação de trem, com entregas estimadas para 2032. Outro passo foi a dissolução da Cracolândia.
Esse “pacote de revitalização” serviu como um sinal para as incorporadoras. “Há muito interesse do mercado imobiliário. A demanda já vem crescendo e vai crescer ainda mais com as notícias recentes”, afirma o presidente executivo do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Ely Wertheim.
Segundo ele, a busca por terrenos nas imediações dos Campos Elíseos aumentou há cerca de dois a três anos, com algumas incorporadoras se antecipando aos projetos públicos desse “pacote”.
A tendência é que o interesse aumente com o avanço dos investimentos na infraestrutura urbana. “Eu acredito que nos próximos meses vamos ver anúncios de mais lançamentos. Essas notícias de revitalização vão ser usadas no marketing dos empreendimentos para mostrar aos compradores de imóveis como a região vai ficar melhor para se morar”, estima o presidente do Secovi-SP.
Quem aposta
A companhia que mais aposta na região é a Plano & Plano, dona de quatro terrenos por ali, dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV). “Vimos o desenvolvimento da paisagem e fomos adquirindo esses terrenos. A maioria foi comprada em 2020 e 2021, identificando os ‘pulos’ que iriam acontecer pela frente”, diz a diretora de incorporação, Renée Silveira. “Hoje estamos visitando terrenos que antes não conseguíamos entrar porque estavam dentro da Cracolândia.”
A aposta da Plano & Plano não se baseou só em promessas, mas também em ações efetivas, como o Plano de Intervenção Urbana (PIU) sancionado pela Prefeitura em 2022. Ele concedeu isenção de outorga onerosa para empreendimentos voltados à habitação social na região central. A outorga é a taxa para se construir acima do limite básico de cada terreno. Sem esse custo, foi possível viabilizar novos projetos, observa a diretora.
Um levantamento de mercado feito pela companhia apurou que os lançamentos nos Campos Elíseos passaram de zero, em 2020, para 673 apartamentos em 2021; 1.261 em 2022; 529 em 2023; 1.860 em 2024; e 1.825 em 2025. Portanto, o mercado imobiliário ali já evoluiu nos últimos anos.
A Plano & Plano entregou em fevereiro um residencial na Av. Rio Branco, com 300 apartamentos de um e dois dormitórios, 100% vendido. Na fila para o lançamento há outro residencial, na Av. Duque de Caxias, com 430 apartamentos. “O nosso foco é atender quem quer morar perto do trabalho e também pessoas interessadas em valorização do imóvel como forma de investimento”, explica Renée. Os projetos seguintes ficarão na Rua Conselheiro Nébias e na Rua Barão de Campinas.
A Cury é outra gigante na região. A construtora tem dois empreendimentos no Bom Retiro, atravessando o viaduto Eng. Orlando Murgel, na continuidade da Av. Rio Branco.
O primeiro fica na Rua Solon, ao lado da Favela do Moinho, com duas torres e mais de 300 apartamentos, já em obras. O segundo fica a sete quarteirões de distância, na Rua Matarazzo. “Temos uma série de projetos porque essa é uma região de desejo dos moradores, que querem estar nas áreas centrais da cidade”, afirma o vice-presidente comercial da Cury, Leonardo Mesquita.
Ele defende que o Plano Diretor e as demais políticas com benefícios fiscais permitiram que as empresas viabilizassem empreendimentos no Centro, e não somente nos bairros periféricos, onde os terrenos são mais baratos. As iniciativas mais recentes – como a transferência da sede do governo – são um complemento a esses incentivos. “Acreditamos nesse tipo de política. E a resposta vem na forma de mais projetos e mais moradores na região.”
O movimento das grandes construtoras serve como um farol para as empresas menores. A Astus, fundada em 2018 por três empresários de Belo Horizonte, está avançando no mercado imobiliário paulistano em parceria com empresas locais. Seu foco se voltou agora para o Centro, onde vê potencial para desenvolver moradias para famílias de menor renda. “Estamos prospectando terrenos para comprar”, afirma o sócio e presidente, Filipe Coutinho. “A nova sede administrativa vai fazer toda a diferença, porque vai levar vida para uma região que já tem a infraestrutura de transportes pronta.”
