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02 de junho de 2026

Dólar cai em dia positivo para emergentes, mas fecha acima de R$ 5,00


Por Agência Estado Publicado 02/06/2026 às 18h27
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O dólar apresentou leve recuo frente ao real nesta terça-feira, 2, em sintonia com o comportamento da moeda americana em relação às divisas emergentes, mas manteve-se acima da linha de R$ 5 no fechamento. Apesar das incertezas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã, houve melhora do apetite por risco nos mercados globais. A provável entrada de recursos de estrangeiros para a bolsa doméstica, em dia de avanço de mais de 1% do Ibovespa, e a alta dos preços do petróleo podem ter contribuído para dar suporte ao real.

Operadores ressaltam que a nova ameaça comercial americana ao Brasil ficou em segundo plano, embora possa ter impacto eleitoral mais à frente. O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a imposição, a partir de 15 de julho, de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, citando, entre outros pontos, suposta concorrência desleal decorrente das transações bancárias por meio do PIX.

Com mínima de R$ 5,0005 e máxima de R$ 5,0231, o dólar à vista terminou o dia cotado a R$ 5,0095, em queda de 0,26%. A moeda americana recua 0,66% nos dois primeiros pregões de junho, após valorização de 1,82% em maio. No ano, as perdas são de 8,74%. O real mantém o melhor desempenho em 2026 no universo das divisas mais líquidas, considerando economias desenvolvidas e emergentes.

“O real está valorizando um pouco em linha com as outras moedas emergentes, com as taxas de juros lá fora andando de lado”, afirma o diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, que vê a taxa de câmbio oscilando entre R$ 4,90 e R$ 5,10. “O otimismo com a moeda ficou para trás. O quadro fiscal está muito ruim e deve piorar até o fim do ano. O real não desvaloriza porque o ‘carrego’ é muito alto.”

As cotações do petróleo subiram diante da ausência de sinais concretos de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã que possam levar a uma reabertura do Estreito de Ormuz. O contrato do Brent para agosto fechou em alta de 1,07%, a US$ 96 por barril.

À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou, em publicação na Truth Social, que as tratativas com Teerã seguem em curso, contrariando informações recentes da mídia iraniana de que as comunicações entre os dois países haviam sido interrompidas. Mais cedo, o Irã informou que ainda não concluiu a análise da proposta americana para extensão do acordo de cessar-fogo, segundo a agência semioficial iraniana Mehr.

A equipe econômica do C6 Bank espera valorização do dólar na comparação com o real até o final do ano, mas em ritmo menor do que na estimativa anterior, argumentando que, desde o início do conflito no Oriente Médio, a moeda brasileira exibe desempenho superior ao de outras divisas emergentes – “possivelmente” em razão da “capacidade de produção de petróleo” do Brasil em “um contexto de aumento da cotação do barril”.

“Em um horizonte mais longo, acreditamos que o aumento da dívida pública brasileira pode voltar a pressionar o câmbio, mas, no curto prazo, a visão mais favorável sobre o Brasil no contexto do conflito no Oriente Médio prevaleceu. Por isso, ajustamos para baixo nossa projeção para o dólar, que passou de R$ 5,50 para R$ 5,20 ao fim de 2026 e de R$ 5,80 para R$ 5,50 ao fim de 2027.”

Referência do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY rondava a estabilidade no fim da tarde, na casa dos 99,200 pontos, após máxima aos 99,329 pontos. Em nota, o banco ING afirma que a faixa entre 99,000 e 99,500 continua sendo uma “zona de conforto” para o DXY, em um ambiente macroeconômico favorável ao dólar, que pode ser reforçado pela agenda de indicadores nos Estados Unidos ao longo desta semana.

O relatório Jolts revelou que a abertura de postos de trabalho nos EUA subiu para 7,618 milhões em abril, acima do esperado por analistas (6,8 milhões). Nesta quarta, 3, será divulgado o relatório ADP, com números da criação de vagas no setor privado em maio. Na sexta-feira, 5, sai o relatório de emprego (payroll) de maio, o que pode mexer com as apostas em torno da condução da política monetária pelo Federal Reserve.

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