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29 de maio de 2026

Entre queda do petróleo e PIB forte, taxas futuras de juros encerram sessão em leve alta


Por Agência Estado Publicado 29/05/2026 às 18h17
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Após subirem pela manhã com o impulso dos dados de atividade do primeiro trimestre, os juros futuros oscilaram sem gatilhos claros ao longo da tarde, encerrando a sessão da sexta-feira em discreta alta. A despeito da curva dos Treasuries bem comportada e da queda do petróleo, dados domésticos que indicam resiliência da atividade e da inflação atuaram no sentido de pressionar as taxas, enquanto prevaleceu cautela em relação ao exterior, diante do risco de desdobramentos negativos nas negociações entre Washington e Teerã no final de semana.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 14,053% no ajuste anterior, para 14,09%. O DI para janeiro de 2029 avançou a 13,86%, vindo de 13,805% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 oscilou de 13,895% no ajuste para 13,885%.

Os DIs ameaçaram devolver prêmios e tocaram mínimas intradia por volta das 14h, mais alinhados à queda do petróleo e à curva comportada dos Treasuries, mas voltaram ao terreno negativo com notícias de que nenhum acordo foi alcançado entre Estados Unidos e Irã.

Segundo profissionais de renda fixa e economistas ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o mercado de juros brasileiro tem mostrado uma dinâmica própria nos últimos dois pregões, mais descolada do movimento externo e até mesmo do dólar.

Na semana, com dados domésticos que apontaram inflação resistente, mercado de trabalho e economia ainda aquecidos, fica cada vez mais difundida a percepção de que o ciclo de calibração da Selic será bem magro.

O cenário internacional, por sua vez, impôs certa cautela aos negócios, diante de um fim de semana que pode ter desdobramentos negativos no acordo em negociação entre Washington e Teerã, o que desestimula tomada de risco. O saldo foi um pregão de oscilação comedida das taxas, seja na alta, seja na queda.

No cômputo semanal, com tombo de cerca de 10% das cotações do petróleo no período, devido às expectativas de que uma resolução para o conflito estaria próxima, a curva futura teve discreto fechamento. O vértice de janeiro de 2027 cedeu cerca de 2 pontos-base, o de janeiro de 2029 caiu ao redor de 5 pontos-base, e a taxa para janeiro de 2031, cerca de 10 pontos-base.

Já no mês, a curva a termo ganhou inclinação, com a taxa de janeiro de 2027 recuando cerca de 5 pontos, e a de 2029 e 2031 abrindo cerca de 15 pontos. “Quando há um movimento de perspectiva de corte dos juros associado a aumento da inflação esperada e dos riscos para a inflação, é natural que a curva ganhe inclinação, com agentes questionando a real magnitude desse ciclo”, afirmou Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset.

Para Sichel, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, publicado nesta sexta pelo IBGE, reforçou essa avaliação, ao mostrar crescimento de 1,1% da economia em relação ao trimestre imediatamente anterior, feitos os ajustes sazonais. O dado veio exatamente em linha com a mediana de analistas consultados pelo Projeções Broadcast.

“A dinâmica doméstica tem ido além do que está acontecendo com o petróleo. Hoje o PIB veio com decepção na parte de agro, e serviços e indústria com performance positiva. Isso dá indicações de que o espaço para cortar juros é menor e o mercado vai precificando isso aos poucos”, disse o economista.

No final da tarde, a probabilidade de uma redução de 0,25 ponto da Selic apontada pela curva futura estava em 80%, praticamente o mesmo porcentual da quinta-feira, enquanto a taxa terminal precificada para o fim do ano estava em aproximadamente 14%.

A Tendências Consultoria foi mais uma da casas a elevar sua projeção para o juro básico, de 13,00% para 13,50% em dezembro de 2026. Para o final de 2027, o número passou de 10,50% para 11,25%. “Avaliamos como mais provável a continuidade deste chamado ‘ciclo de calibração’ dos juros, porém mantendo o ritmo modesto de ajuste praticado até aqui”, diz em relatório Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências.

No front da guerra, um alto funcionário do governo norte-americano informou ao The New York Times que o presidente Donald Trump ainda não chegou a uma decisão sobre um novo acordo com o Irã. A Casa Branca acredita estar perto de uma tratativa, mas ainda há certos pontos em debate. “Disse o Trump que ia tomar uma decisão hoje. Melhor não fazer nada e esperar”, afirmou um gestor de renda fixa de uma grande Asset ao Broadcast.

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