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03 de junho de 2026

Galípolo: Brasil foi menos afetado pelos choques recentes por menor ligação com cadeias globais


Por Agência Estado Publicado 03/06/2026 às 07h38
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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil enfrentou efeitos “mais bem comportados” dos dois últimos choques de oferta que atingiram a economia internacional – relacionados ao tarifaço e à guerra no Oriente Médio – por estar menos ligado às cadeias globais de valor. Ele participa de palestra em painel do XIV Fórum de Lisboa, por videoconferência.

No caso do tarifaço, Galípolo observou que o fato de o País estar menos associado à economia norte-americana, ter parceiros mais diversificados e ter uma economia mais impulsionada pelo crescimento do consumo doméstico e do crédito fez com que a economia brasileira fosse vista como mais protegida e se beneficiasse em 2025. Já em 2026, a posição como exportador líquido de petróleo colocou o Brasil em uma posição mais privilegiada em relação aos pares.

“Não quero dizer de forma alguma que a economia brasileira está melhor com esses choques do que sem os choques. Só estou dizendo que, a partir dos choques, numa comparação relativa com os seus pares, a economia brasileira passa a ficar mais protegida ou vista como um lugar onde está mais insulado do conflito, que tem um diferencial de juros alto, oferece um prêmio bom para quem quer investir no Brasil e que tem essa proteção de ter uma autossuficiência do ponto de vista de uma série de commodities, entre elas inclusive a produção de energia com uma matriz energética bastante diversificada”, disse.

Galípolo mencionou que esse cenário se soma a um fenômeno inusitado, que é o crescimento da aversão a risco nas economias globais e a apreciação de moedas de muitos emergentes.

“Historicamente, quando a aversão a risco sobe, você corre para aquela moeda que é a mais segura, basicamente o dólar, na economia atual, mas a gente está assistindo um cenário onde sobe a aversão a risco e essa aversão a risco tem produzido, de alguma maneira, uma desvalorização do dólar e uma valorização de economias emergentes. O Brasil também se beneficiou disso”, afirmou.

Desafio à frente

Galípolo ponderou que, embora tenha trazido esse benefício em relação aos choques recentes, a menor ligação do Brasil com as cadeias globais de valor também está associada à ausência de ganhos de produtividade evidentes na nossa economia.

“É bastante importante pensarmos nesse desafio mais para o futuro da economia brasileira, como é que o Brasil consegue se linkar, se ligar de maneira mais eficiente com essas cadeias globais de valor, para que a gente possa assistir um crescimento sustentado e liderado por ganhos de produtividade, acho que esse é um grande desafio daqui para frente.”

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