A convivência é uma coisa antiga que precisa ser revitalizada, diz Mario Sergio Cortella


Por Agência Estado

“Ao mesmo tempo que a tecnologia vem para lidar com questões que já existiam, cria novas questões com que vamos ter de lidar”, disse Mario Sergio Cortella na cerimônia de abertura do São Paulo Innovation Week, festival de inovação e tecnologia que recebe mais de 90 mil pessoas entre a quarta, 13, e a sexta-feira, 15, na capital paulista.

O filósofo alerta que a tecnologia pode ser tanto um encantamento quanto um encilhamento (controle). “É uma escolha que vamos ter de fazer”, comenta. “Os latinos usavam um termo que se traz no campo do direito, que é Cui Bono. É bom (a tecnologia). É ótimo. Mas é bom para quem?”, questiona. Ele afirma que ainda não dá para ter tanta nitidez desse ambiente.

Cortella defende que a tecnologia precisa ser inclusiva na sua totalidade. “Pode favorecer a qualidade da existência, mas há necessidade de extinguir qualidade de privilégio. Qualidade é quando você estende para a comunidade os benefícios de alguma coisa. Privilégio é quando só uma parcela da população se apropria desses benefícios”, comenta.

Talvez tenhamos de nos adaptar como o acendedor de lampiões

A extensão dos riscos e dos benefícios da inteligência artificial no mercado de trabalho também gera reflexões e precisa ser observada de uma perspectiva econômica e social, analisa Cortella. “Talvez tenhamos de (nos adaptar) tal como aconteceu com o acendedor de lampiões. Temos de construir outros modos”, compara.

“O que a gente não pode é excluir essa tecnologia inclusiva. Quem ficar de fora do mercado por conta da modificação, terá que ser trazido para dentro de algum modo, porque do contrário é cruel”, afirma.

Convivência e inovação

O SPIW terá 15 trilhas temáticas, 150 expositores, 33 palcos e mais de 1,5 mil palestrantes, incluindo nomes como o cineasta Spike Jonze; o psicólogo e psicólogo Daniel Goleman; o jornalista russo Dmitry Muratov, vencedor do Nobel da Paz em 2021; o astrofísico brasileiro Marcelo Gleiser e executivos de grandes empresas do Brasil e do mundo.

Na visão de Cortella, é uma oportunidade para ser um “aprendente”. “Juntar pessoas para fazer o bem é bom”, sintetiza. “Inovar não é sempre criar o inédito, muitas vezes é dar vitalidade ao antigo. E a convivência é uma coisa antiga que precisa ser revitalizada. A percepção de harmonia, uma noção comunitária da vida, isso tudo é altamente inovador como incremento”, comenta.

Fruto de uma parceria do Estadão com a Base Eventos, o SPIW tem como palco o Pacaembu e a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). A conferência reúne empresários, executivos, investidores e pensadores para promoverem reflexões em áreas como tecnologia, ciência, saúde, educação, agronegócio, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.

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