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07 de abril de 2026

Ações na Justiça por burnout crescem 14,5% em 2025

O burnout foi oficialmente reconhecido como uma doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022


Por João Victor Guirado Publicado 24/05/2025 às 09h14
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Entre janeiro e abril de 2025, o número de ações trabalhistas relacionadas ao burnout aumentou 14,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. 

Segundo levantamento exclusivo do escritório Trench Rossi Watanabe para a Folha de S.Paulo, “foram registrados 5.248 novos processos nos quatro primeiros meses deste ano, frente aos 4.585 no mesmo intervalo de 2024”.

burnout
Foto: Ilustrativa

Prejuízo bilionário para empresas

Os pedidos de indenização por esgotamento profissional já somam um passivo de R$ 3,75 bilhões para as empresas, com valor médio de R$ 368,9 mil por ação. Segundo especialistas, a tendência de alta deve continuar, pressionando ainda mais a Justiça do Trabalho e o orçamento das companhias.

Leia também: Com baixa produtividade de médicos em Maringá, tempo de espera em UPA aumenta

O que é burnout? 

O burnout foi oficialmente reconhecido como uma doença ocupacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022 e incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID) sob o código 11. 

No Brasil, trabalhadores com diagnóstico da síndrome têm direito ao afastamento remunerado pelo INSS ou pelos regimes próprios de previdência dos entes federativos.

Pandemia impulsionou o adoecimento

Leticia Ribeiro, advogada e líder da área trabalhista do Trench Rossi Watanabe, aponta que o aumento das ações começou com força em 2024, impulsionado pelas mudanças nos modelos de trabalho após a pandemia. 

“A verdade é que, com a pandemia, a gente passou a ‘dormir no trabalho’, e isso teve consequências, que culminaram em adoecimento e uma alta de ações na Justiça do Trabalho”, explica.

Em 2024, foram protocoladas 16.670 ações relacionadas ao burnout, quase 22 vezes mais do que em 2014, quando houve 771 processos desse tipo. Na época, a síndrome ainda era tratada apenas como um “fenômeno ligado ao trabalho”, sem status de doença ocupacional.

Especialistas e governo em alerta

O aumento nos processos liga o alerta de juristas e do poder público para a necessidade urgente de atenção à saúde mental no ambiente de trabalho. 

A sobrecarga emocional e a ausência de limites claros entre vida pessoal e profissional seguem sendo fatores críticos no cenário pós-pandemia.

Leia a seguir: Vereadora de Maringá propõe multa de R$ 20 mil para ‘mamães’ de bebês reborn em unidades de saúde

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