Anvisa cria novas recomendações para suplementos com cúrcuma após alertas de intoxicação


Por Agência Estado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) atualizou as regras para suplementos alimentares que contêm cúrcuma, também conhecida como açafrão. As novas recomendações foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 22.

Segundo a agência, a atualização foi motivada pela identificação de possíveis danos ao fígado associados ao uso de suplementos e medicamentos com cúrcuma. Em março, a Anvisa já havia publicado um alerta de farmacovigilância sobre o tema.

O órgão ressalta que o risco não está relacionado ao uso tradicional da cúrcuma, isto é, como tempero no preparo diário de alimentos. “A cúrcuma tem uma ação sabidamente anti-inflamatória e antioxidante. Basicamente, em estudos experimentais, em pequena quantidade na alimentação ela é considerada segura”, destaca Rogério Alves, hepatologista do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas.

O perigo está relacionado com o uso de suplementos à base do tempero. Esses produtos apresentam concentrações mais elevadas de cúrcuma e, portanto, maior capacidade de absorção pelo organismo. “Já há relatos bem documentados de lesão hepática induzida por esse tipo de suplemento”, comenta Alves.

Daniela Marreco, relatora do processo que originou a nova instrução normativa, defende que a atualização é uma resposta aos alertas científicos recentes sobre a segurança desses produtos.

A nova norma torna obrigatória a inclusão de advertência nos rótulos dos suplementos, por exemplo. O aviso informa que o produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doenças hepáticas, biliares ou úlceras gástricas. Pessoas com outras enfermidades ou sob uso de medicamentos também devem consultar um médico antes da ingestão.

Outra mudança estabelece que os limites de consumo da curcumina, principal composto bioativo da cúrcuma, sejam calculados pela soma de seus três principais componentes, chamados de curcuminoides totais.

A norma também inclui os tetraidrocurcuminoides na lista de ingredientes permitidos. No entanto, esse novo componente não pode ser misturado ao extrato natural da planta no mesmo produto para evitar sobrecarga da substância no organismo.

Sinais da intoxicação

Segundo Alves, os sintomas que merecem mais atenção são cansaço, náusea, perda de apetite, mudança na cor da urina e coceira. O amarelamento da pele e dos olhos, conhecido como icterícia, também é um indício de alerta.

“O aparecimento dos sintomas, em média, costuma surgir em algumas semanas ou alguns meses após o início do uso do suplemento”, alerta. “O ideal é procurar avaliação médica para investigação”, informa.

Pessoas com doenças preexistentes no fígado são as mais vulneráveis aos efeitos dos suplementos. Pacientes com cirrose, por exemplo, estão mais sujeitos a quadros graves caso uma lesão aguda seja provocada pelo consumo dessas substâncias.

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