Uma oportunidade incomum está chamando a atenção de investidores, empresários do setor aeronáutico e entusiastas da aviação. O Tribunal de Justiça da Comarca de Boa Vista, em Roraima, está promovendo um leilão de aeronaves que inclui modelos de aviões da Embraer e da Cessna com lances iniciais a partir de apenas R$ 10 mil.
O leilão faz parte do processo de liquidação da massa falida da empresa Meta Mesquita Transportes Aéreos, companhia que enfrentou dificuldades financeiras após a morte de seu fundador. O caso segue cercado de questões judiciais que ainda não foram totalmente solucionadas.
Apesar dos valores iniciais chamarem atenção, os interessados precisam avaliar cuidadosamente as condições das aeronaves, já que nenhuma delas possui certificado de aeronavegabilidade válido, o que pode exigir investimentos elevados para que voltem a operar.
Quais aviões estão disponíveis no leilão?
O catálogo reúne oito aeronaves de diferentes categorias, incluindo modelos utilizados no transporte regional de passageiros e aviões de menor porte voltados para operações em pistas curtas ou não pavimentadas.
As aeronaves disponíveis são:
- Embraer EMB-120ER Brasília – lance inicial de R$ 10 mil;
- Cessna U206F – lance inicial de R$ 10 mil;
- Cessna U206G – lance inicial de R$ 10 mil;
- Embraer EMB-810D Seneca III – lance inicial de R$ 10 mil;
- Embraer EMB-720C Minuano – lance inicial de R$ 10 mil;
- Embraer EMB-120ER Brasília (segunda unidade) – lance inicial de R$ 10 mil;
- Embraer EMB-720D Minuano – lance inicial de R$ 10 mil;
- Embraer EMB-110P1 Bandeirante – lance inicial de R$ 10 mil.
Entre os destaques está o EMB-120 Brasília, aeronave turboélice bastante conhecida na aviação regional brasileira, além do EMB-110 Bandeirante, modelo que marcou a história da indústria aeronáutica nacional.
Por que os aviões estão tão baratos?
Embora o valor inicial seja de apenas R$ 10 mil, especialistas alertam que o custo real da aquisição pode ser muito maior.
Isso porque as aeronaves não possuem documentação de aeronavegabilidade válida, condição indispensável para operações aéreas regulares. Dessa forma, os compradores poderão ter que arcar com despesas relacionadas a:
- inspeções técnicas;
- manutenção corretiva e preventiva;
- substituição de componentes;
- regularização documental;
- certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC);
- transporte das aeronaves;
- revisões mecânicas especializadas.
Dependendo do estado de conservação, algumas unidades podem acabar sendo utilizadas apenas para desmontagem e venda de peças ou até mesmo destinadas à sucata.
Datas do leilão de aeronaves
O leilão será realizado em mais duas etapas, sempre às 14h (horário de Brasília):
- 11 de junho de 2026;
- 25 de junho de 2026.
A primeira etapa ocorreu em 28 de maio de 2026.
Os lances são realizados pela internet por meio do portal oficial do leiloeiro responsável.
Como participar do leilão
Os interessados devem realizar cadastro prévio e solicitar habilitação junto ao portal oficial do leilão.
Os participantes também podem agendar visitas para inspeção presencial das aeronaves antes da realização dos lances. Para isso, é necessário encaminhar a documentação exigida pela administradora judicial e pelo leiloeiro oficial.
Além do valor ofertado no leilão, o comprador deverá considerar custos adicionais, como comissão do leiloeiro, taxas processuais, transporte, inspeções técnicas e eventuais gastos para homologação junto à ANAC.
Leilão pode atrair investidores e mercado de peças aeronáuticas
Mesmo com as restrições operacionais, o leilão desperta interesse por reunir modelos históricos da aviação brasileira e aeronaves que ainda possuem valor comercial no mercado de peças e componentes.
Para investidores especializados, oficinas aeronáuticas e empresas do setor, a aquisição pode representar uma oportunidade de negócio. Já para quem pretende colocar os aviões novamente em operação, será fundamental avaliar com atenção os custos de recuperação antes de apresentar qualquer lance.
Com informações do Aeroin