Brasileira investigada pelo FBI é suspeita de desviar joias avaliadas em até R$ 100 milhões


Por Agência Estado

Uma empresária brasileira natural do Paraná passou a ser investigada no Brasil e nos Estados Unidos sob suspeita de envolvimento em um esquema milionário de desvio de joias de luxo. Segundo reportagem exibida pelo Fantástico da TV Globo no último domingo, 17, o prejuízo estimado pelas vítimas de Camila Briote pode chegar a R$ 100 milhões.

A defesa da empresária afirma que as acusações não possuem respaldo jurídico e nega irregularidades cometidas em território brasileiro. As autoridades dos dois países, por sua vez, evitam comentar detalhes das investigações em andamento.

Além do caso envolvendo joias, Camila também responde no Brasil a outro inquérito por estelionato relacionado com a venda de bolsas de grife. O prejuízo estimado nesse caso ultrapassa R$ 4 milhões.

Camila, que também possui cidadania americana, é alvo de investigações por suspeita de estelionato após denúncias envolvendo peças de alto valor, como diamantes, ouro e esmeraldas. Antes de virar alvo das autoridades, ela frequentava eventos da alta sociedade e chegou a aparecer em colunas sociais por causa de um casamento realizado na Espanha.

De acordo com relatos reunidos pela reportagem, Camila atuava como intermediária na comercialização de joias consignadas entre o Brasil e os Estados Unidos. A suspeita é de que ela retirava peças com joalheiros sob a promessa de revenda internacional e, após conquistar a confiança dos fornecedores, deixava de devolver os produtos ou repassar os valores das vendas.

Uma das vítimas afirmou ter perdido cerca de US$ 1,6 milhão entre joias desaparecidas e pagamentos não efetuados. Outros empresários relataram prejuízos semelhantes envolvendo peças de luxo que teriam sido vendidas ou desviadas.

Ao Fantástico, o advogado Arthur Migliari, que representa algumas vítimas, afirmou que a investigada utilizava a própria imagem e facilidade de comunicação para conquistar credibilidade. “É o rosto bonitinho, uma pessoa falante, bem apresentável. Ela consegue a confiança das vítimas e depois vem a segunda parte, que é pegar as joias, que é o grand finale”, disse.

Segundo as investigações, o esquema teria seguido um padrão recorrente. Camila se apresentava como representante de joalherias conhecidas e prometia lucro elevado com negociações internacionais. Com o tempo, porém, os pagamentos deixavam de ser feitos e começavam as justificativas para os atrasos.

Mensagens obtidas no inquérito mostram promessas de transferência bancária que nunca eram concluídas. As vítimas afirmam ainda que a empresária chegou a apresentar comprovantes falsificados, cheques sem fundos e vídeos exibindo dinheiro em espécie para tentar convencer credores de que os pagamentos seriam realizados.

A maior parte das denúncias está concentrada no sul da Flórida, especialmente em cidades como Miami, Boca Raton e Palm Beach, onde Camila possui residência. O caso passou a ser acompanhado pelo FBI diante do volume de denúncias e da circulação internacional das peças.

Segundo documentos citados pela reportagem, investigadores americanos descobriram que parte das joias desaparecidas teria sido penhorada em casas de penhor por valores muito abaixo do mercado. Um colar avaliado em cerca de US$ 120 mil, por exemplo, teria sido usado como garantia em troca de apenas US$ 6 mil.

Ainda conforme as investigações, o dinheiro obtido com as operações teria sido utilizado para manter um padrão de vida de luxo exibido nas redes sociais. Enquanto os inquéritos avançam, investigadores trabalham para localizar as peças desaparecidas e identificar possíveis novas vítimas do esquema.

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