O ministro da Educação, Camilo Santana, disse que o resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que mostrou que 1/3 dos cursos de medicina é mal avaliado, foi “positivo”. Afirmou que o objetivo “não é prejudicar ninguém”, mas garantir que as instituições de ensino superior “reflitam sobre a qualidade de sua infraestrutura”.
Camilo criticou o governo passado, de Jair Bolsonaro, por, segundo ele, não ter atuado na regulação dos cursos de medicina. Disse que o Ministério da Educação “perdeu a capacidade de coordenar esse processo e foi uma enxurrada de processos judiciais na ampliação e abertura de vagas de medicina”.
“Para vocês terem uma ideia, de 2016 a 2022, praticamente se dobrou o número de vagas de cursos privados de medicina no Brasil. Tivemos de reduzir, retomando a coordenação e o protagonismo da regulação dos cursos de medicina”, afirmou, em evento com dirigentes de Instituições Comunitárias de Educação Superior no Palácio do Planalto ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira, 19.
“Passamos a avaliar os cursos de medicina em vez de a cada três anos, mas anualmente. O resultado foi apresentado hoje e surpreendeu positivamente, porque dos 304 cursos que o MEC tem capacidade de regular, que são as federais e os privados, mais de 67% estiveram nas faixas satisfatórias, o que é positivo”, declarou.
Camilo reforçou que o objetivo do governo com a avaliação mais rígida dos cursos de medicina “não é prejudicar ninguém, muito menos os alunos, mas garantir que as universidades reflitam sobre a qualidade da sua infraestrutura, da sua monitoria, dos laboratórios e dos profissionais, para termos bons profissionais formados no País”.
Lula não falou no evento. Deixou que seus ministros e outras autoridades falassem sobre o assunto tratado na reunião. Antes do fim da cerimônia, assinou decreto sobre qualificação das instituições comunitárias e a celebração de termos de parceria com o poder público. Segundo a Presidência da República, essa parceria permitirá que elas colaborem com o governo em projetos de ensino, pesquisa e extensão adaptados às demandas locais. Na saída, o presidente não falou com a imprensa.