Carne suína bate recorde de exportação, mas preço do animal vivo cai


Por Redação GMC Online
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Foto: Reprodução

O mercado brasileiro de carne suína vive um cenário de forte contraste. Por um lado, o setor registrou um desempenho recorde nas exportações em maio, impulsionado pela diversificação de parceiros internacionais e pelo avanço em mercados estratégicos. Por outro, o excesso de oferta interna e as oscilações ao longo do mês derrubaram os preços médios do suíno vivo no campo, que atingiram o menor patamar em termos reais desde julho de 2012, acumulando três meses consecutivos de desvalorização.

No comércio exterior, os resultados consolidados são históricos. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país exportou 129,4 mil toneladas da proteína (somando produtos in natura e processados) em maio, um crescimento de 9% frente às 118,8 mil toneladas de maio de 2025. Em receita, as vendas geraram US$ 302,1 milhões (R$ 1.547,8 bilhão), um avanço de 3,8%. De acordo com informações divulgadas pela CNN Brasil, no acumulado de janeiro a maio, o setor já soma 661,7 mil toneladas embarcadas, injetando US$ 1,546 bilhão (R$ 7,921 bilhões) na receita cambial do país.

Esse fôlego internacional foi garantido pela mudança no fluxo de compradores. As Filipinas mantiveram a liderança como principal destino (27,2 mil toneladas), mas o grande destaque do mês foi o Japão, que expandiu suas compras em 83,2%, recebendo 15,2 mil toneladas. México (+20,4%), Hong Kong (+13,8%) e Argentina (+13,7%) também aceleraram as importações, compensando a retração de 25,9% da China (8,9 mil toneladas), além das quedas no Vietnã (-14,2%) e em Singapura (-50,5%). Entre os estados lideres, Santa Catarina liderou com 62,5 mil toneladas (+4,9%), seguido por Rio Grande do Sul (32,7 mil toneladas) e Paraná (18,3 mil toneladas).

CENÁRIO FINANCEIRO

Apesar do recorde mensal fechado pela ABPA, o dia a dia do produtor dentro das granjas enfrentou severas dificuldades financeiras. Um levantamento do Centro de Pesquisa em Economia Aplicada (Cepea), divulgado na sexta-feira, 5, revelou que a baixa procura doméstica e uma perda de ritmo nos embarques internacionais na primeira quinzena de maio, que registraram queda de 15% na média diária de envios em relação a abril, sufocaram as cotações internas. O consumo nacional chegou a esboçar uma reação pontual na semana do Dia das Mães, mas o movimento não se sustentou.

Diante desse consumo doméstico enfraquecido, os suinocultores tentaram acelerar o escoamento da produção para o mercado externo na segunda metade do mês para evitar estoques ainda maiores. Mesmo com o esforço de escoamento e o recorde histórico de volume consolidado no encerramento de maio, a pressão de oferta foi maior, forçando os pesquisadores do Cepea a confirmarem que o preço do animal vivo e da proteína no atacado fecharam o período nos níveis mais baixos de rentabilidade real dos últimos 14 anos.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

– Recorde histórico: O Brasil teve o melhor mês de maio da história nas exportações de carne suína, com 129,4 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 302,1 milhões.

– Crise de preços: Apesar do sucesso nos embarques, a baixa demanda interna fez o preço do suíno vivo despencar para o pior patamar em termos reais desde julho de 2012.

– Novas rotas: O Japão aumentou suas compras em 83,2% e ajudou a compensar a forte retração de 25,9% do mercado chinês e a queda de ritmo nas exportações da primeira quinzena de maio.

As informações são do A Rede.

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