Uma cidade de pouco mais de 12 mil habitantes, no interior do Rio Grande do Sul, está prestes a receber um dos maiores investimentos industriais da história do Estado. Barra do Ribeiro, localizada na metade sul gaúcha, foi escolhida para sediar uma das maiores indústrias de celulose do mundo. O projeto da nova mega fábrica prevê aporte total de R$ 27 bilhões e a geração de até 10 mil empregos diretos e indiretos.
Batizado de Projeto Natureza, o empreendimento é liderado pela chilena CMPC e deve provocar uma profunda transformação econômica e social na região nos próximos anos, com impacto direto no mercado de trabalho, na arrecadação municipal e na cadeia logística do Sul do país.
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Investimento bilionário e nova dinâmica econômica
Do total previsto, R$ 24 bilhões serão destinados à implantação da fábrica de celulose em Barra do Ribeiro, enquanto outros R$ 3 bilhões serão aplicados exclusivamente em infraestrutura logística, incluindo transporte e operações portuárias. A expectativa é que o complexo industrial comece a operar em 2029, apenas dois meses após a conclusão do novo terminal portuário no Estado.
A chegada do projeto deve posicionar o município como um novo polo industrial do Rio Grande do Sul, impulsionando setores como construção civil, serviços, comércio e qualificação profissional.
Para garantir o escoamento da produção, a CMPC já assinou o contrato de concessão de um Terminal de Uso Privado no Porto de Rio Grande, considerado peça-chave da estratégia logística. Além disso, a empresa planeja construir embarcações especializadas para transportar a celulose pelo Lago Guaíba, conectando a unidade industrial ao sistema portuário de forma integrada.
Esse modelo logístico reduz custos, aumenta a eficiência operacional e fortalece a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.
A nova planta industrial terá capacidade para produzir 2,5 milhões de toneladas de celulose de eucalipto por ano, volume que coloca o projeto entre os maiores do setor no mundo. A empresa aguarda, ainda em 2026, a emissão das licenças ambientais e a aprovação final do conselho administrativo.
Segundo a CMPC, já existe estoque de madeira plantada suficiente para garantir até cinco anos de produção, o que assegura estabilidade operacional tanto para a nova fábrica quanto para a atual unidade da empresa no Brasil.
Empregos, capacitação e desafios locais com a nova fábrica
Com a implantação do projeto, o número de trabalhadores vinculados à operação deve saltar de 6,5 mil para mais de 10 mil, considerando empregos diretos, indiretos e induzidos. O principal desafio, segundo especialistas, será a capacitação técnica da mão de obra local, exigindo investimentos em formação profissional e parcerias com instituições de ensino.
Para Barra do Ribeiro, o impacto vai além dos números. O município, que tem origem ligada a uma charqueada instalada em 1780 e se emancipou de Porto Alegre em 1959, deve passar por uma reconfiguração urbana e econômica. Conhecida pelas praias de água doce, áreas de mata nativa e atrativos culturais como a Fábrica de Gaiteiros, a cidade entra agora no radar de grandes investimentos industriais.