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24 de janeiro de 2026

Cidade turística de 12 mil habitantes no Sul vai ganhar nova fábrica de R$ 24 bilhões


Por Redação GMC Online Publicado 24/01/2026 às 14h46
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A chilena CMPC avançou mais uma etapa no projeto de instalação de sua nova fábrica de celulose no Brasil ao assinar, nesta semana, o contrato de concessão do terreno e de construção de um Terminal de Uso Privado (TUP) no Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Também foram firmados contratos para a construção de novas embarcações, reforçando a logística do empreendimento. Com os novos avanços, a companhia reafirmou o cronograma de entrega do projeto para o segundo semestre de 2029.

Investimento bilionário e cronograma mantido

Os investimentos relacionados à estrutura portuária e logística devem consumir cerca de R$ 3 bilhões do total aproximado de R$ 24 bilhões previstos para a implantação da unidade industrial em Barra do Ribeiro, município localizado a cerca de 30 quilômetros ao sul de Porto Alegre, às margens do Lago Guaíba. Segundo o diretor de celulose da CMPC, Antonio Lacerda, a estimativa é que as obras do terminal sejam concluídas em meados de 2029, com a fábrica iniciando operação dois meses depois. “Tudo está dentro do cronograma”, afirmou o executivo em entrevista ao Valor.

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Foto: Reprodução

Batizado de Projeto Natureza, o empreendimento terá capacidade de produção de 2,5 milhões de toneladas por ano de celulose de eucalipto. O investimento ainda depende da aprovação do conselho de administração da empresa, condicionada à obtenção das licenças ambientais. De acordo com Lacerda, a companhia está na fase final dessas autorizações, com expectativa de levar o projeto ao conselho em meados deste ano.

Base florestal e desafio da mão de obra

Na frente florestal, a CMPC afirma já possuir madeira plantada suficiente para abastecer, por cinco anos, tanto a nova fábrica em Barra do Ribeiro quanto a unidade que a empresa já opera no Brasil. Outro desafio estratégico é a formação de mão de obra. Atualmente, a companhia conta com cerca de 6,5 mil colaboradores diretos e indiretos, número que deve ultrapassar 10 mil com a entrada em operação da segunda fábrica.

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Foto: Reprodução

Segundo o executivo, a empresa já mapeou as necessidades futuras de pessoal, as habilidades exigidas e o tempo de capacitação necessário. A CMPC vem trabalhando em parceria com entidades do Rio Grande do Sul para preparar os profissionais que atuarão no projeto. “É um grande desafio, e a tendência é ficar mais complexo, mas estamos nos preparando para minimizar esse impacto”, afirmou Lacerda.

Mercado global em ajuste e impacto regional

O avanço do projeto ocorre em um momento de ajustes no mercado global de celulose. Em 2025, o preço da celulose de fibra curta (BHKP) na China — principal referência para a commodity — registrou forte queda, passando de US$ 540 por tonelada, no início do ano, para US$ 495 em julho. A partir de agosto, houve recuperação, com o preço encerrando o ano em torno de US$ 560 por tonelada.

Apesar da instabilidade gerada por fatores como o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e a desaceleração do setor de construção na China, a CMPC avalia que a principal pressão sobre os preços veio do aumento da oferta, impulsionado pela entrada de novos volumes no mercado e pelo avanço de fábricas integradas no país asiático. “Ninguém esperava uma oferta de madeira tão grande aos produtores chineses em função da queda da demanda do mercado de construção. Isso alterou a dinâmica do mercado”, observou Lacerda, acrescentando que, ainda assim, a celulose brasileira segue competitiva.

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Foto: Reprodução

Com pouco mais de 12 mil habitantes, Barra do Ribeiro tem origem histórica ligada à instalação de uma charqueada em 1780 e se emancipou de Porto Alegre em 1959. Conhecida pelas praias de água doce, áreas de mata nativa e atrativos culturais, como a Fábrica de Gaiteiros, a cidade deve passar por transformações significativas com a chegada do novo empreendimento industrial, que promete impactar a economia local e regional nos próximos anos.

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Foto: Reprodução

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