O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) autorizou a concessionária Urbia a realizar uma ampla reforma na Serraria do Parque do Ibirapuera para uso comercial, como a instalação de uma academia. A intervenção foi aprovada por 5 votos a 3 em reunião realizada nesta segunda-feira, 8. Membros do Conselho Gestor do parque e associações da sociedade civil, que protestaram durante a sessão, anunciaram que vão entrar com recurso.
Em nota, a Urbia diz que a aprovação do projeto de requalificação da antiga Serraria pelo Conpresp permite dar continuidade ao restauro da Praça Burle Marx, “valorizando um espaço cultural com grande potencial de uso no Parque do Ibirapuera”.
O projeto para a Serraria do Parque do Ibirapuera prevê estruturas removíveis para reduzir o impacto no bem tombado. A concessionária propõe reformar o edifício atual, que tem o formato de um grande galpão retangular, para instalar uma academia, com espaços para exercícios físicos, como crossfit e musculação. As reformas, incluindo o restauro da Praça Burle Marx, estão orçadas em cerca de R$ 35 milhões.
O conjunto – praça e serraria – é tombado pelo patrimônio histórico nos níveis municipal, estadual e federal. Atualmente, a Serraria é usada gratuitamente para a prática de ioga, meditação, tai chi chuan e exercícios físicos.
A proposta prevê o fechamento parcial do grande galpão, que tem a cobertura sustentada por colunas altas, formando 14 vãos livres, com “paredes” de vidro e madeira. O plano prevê também a construção de uma laje como piso superior, uma espécie de mezanino, onde funcionará a academia.
Ainda segundo a Urbia, o uso comercial da Serraria foi aprovado em 2022 pelos três órgãos de preservação do patrimônio – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat) e Conpresp. “A proposta mantém as características arquitetônicas e paisagísticas do espaço, ampliando os serviços de apoio ao visitante e reforçando o compromisso da concessionária com a zeladoria e a qualificação da experiência do público”, diz a nota.
Protesto e recurso na Justiça
Durante a sessão, representantes da sociedade civil estenderam uma faixa com os dizeres “parque público não é shopping” atrás da mesa ocupada pelos conselheiros. Houve também mobilização pelas redes sociais e coleta de assinaturas contra as intervenções.
A conselheira Eliane Pimenta, do conselho gestor do parque, disse que os nove representantes da sociedade civil que se inscreveram não tiveram oportunidade de se manifestar durante a discussão do projeto. “Foram dados apenas 15 minutos para 9 pessoas, o que é absurdo. Temos 15 dias para entrar com recurso e, se o projeto for mantido, vamos recorrer à Justiça”, diz, ao Estadão.
Ela classificou a decisão do Conpresp como um retrocesso, ao lembrar que recentemente o conselho havia negado o pedido de destombamento do prédio da Escola Panamericana.
Na sessão do dia 18 de maio, o conselho decidiu manter o tombamento do prédio da Escola Panamericana, em Higienópolis, na região central da capital. A maioria dos conselheiros rejeitou o recurso da empresa Keeva Participações, proprietária do imóvel, que pedia o destombamento do imóvel. Obra do arquiteto Siegbert Zanettini, o edifício é considerado um marco da arquitetura pós-moderna paulistana.