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21 de março de 2026

Construção de nova fábrica de R$ 25 bilhões vai mudar patamar de cidade de 8,7 mil habitantes


Por Redação GMC Online Publicado 08/12/2025 às 16h22
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O pequeno município de Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, está prestes a viver uma transformação econômica sem precedentes. Com pouco mais de 8,7 mil habitantes, a cidade foi escolhida para receber o Projeto Sucuriú, megainvestimento da empresa chilena Arauco que prevê a construção de uma fábrica de celulose orçada em mais de R$ 25 bilhões — o maior projeto de produção de celulose do mundo em etapa única. A instalação consolida o papel de Inocência no chamado Vale da Celulose, novo polo industrial em expansão no Centro-Oeste.

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Foto: Divulgação

Fábrica deve começar a operar em 2027 e terá capacidade recorde

A pedra fundamental do empreendimento foi lançada em abril deste ano, marcando o início de uma das obras industriais mais ambiciosas do país. A previsão é que a fábrica entre em operação no final de 2027, com capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.

O volume coloca o município em rota de crescimento acelerado e reforça a posição estratégica do Mato Grosso do Sul no setor florestal, que ganha força devido ao rápido desenvolvimento dos eucaliptais na região — o ciclo de corte é de apenas sete anos, quase metade do tempo observado no Chile.

Geração de 20 mil empregos e energia limpa para impulsionar a região

A obra também terá impacto direto no mercado de trabalho. O pico da construção deve mobilizar 14 mil trabalhadores, enquanto a operação da planta deve manter 6 mil empregos permanentes, fortalecendo cadeias como logística, transporte, indústria e produção florestal.

O complexo contará ainda com 400 mil hectares de eucaliptos destinados à produção e com uma usina capaz de gerar 400 MW de energia limpa — volume suficiente para abastecer uma cidade de 800 mil habitantes. Parte da energia será utilizada internamente, e o excedente será direcionado ao sistema elétrico nacional.

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Foto: Divulgação

Ramal ferroviário estratégico tem licença ambiental aprovada

Para garantir competitividade e agilizar o escoamento da produção, o Imasul concedeu a Licença Prévia autorizando a implantação de um novo ramal ferroviário que atenderá diretamente o complexo industrial. A autorização, válida até 12 de novembro de 2029, viabiliza a construção do trecho considerado essencial para a logística do empreendimento, que tem investimento total estimado em US$ 4,6 bilhões.

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Foto: Semadesc

Em abril, a ANTT aprovou a construção e exploração da ferrovia por 99 anos. O projeto prevê 48 quilômetros de trilhos, conectando a fábrica à Malha Norte (Ferrovia Norte Brasil – EF-364), operada pela Rumo Logística. O ramal permitirá o escoamento anual de até 3,5 milhões de toneladas de celulose.

O traçado aprovado inclui uma ponte de 269 metros e dois viadutos, todos em Inocência, além de rígidas condicionantes ambientais, como dispositivos de proteção à fauna, monitoramento de acidentes com animais silvestres e recomposição de áreas degradadas.

Por que Inocência foi escolhida

A escolha do município se deve à combinação de fatores estratégicos: clima favorável, disponibilidade de terras para florestas plantadas e localização privilegiada próxima a importantes corredores logísticos. No Mato Grosso do Sul, o eucalipto atinge o ponto de corte em apenas sete anos, tornando a região uma das mais competitivas do mundo para o setor de celulose.

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Lançamento da pedra fundamental. Foto: Saul Schramm

Com a chegada da megafábrica, Inocência deve experimentar mudanças profundas. O fluxo de trabalhadores, empresas terceirizadas e novos negócios promete impulsionar o comércio, aumentar a demanda por serviços e estimular investimentos em infraestrutura urbana.

A instalação da Arauco também deve projetar o município no cenário internacional, colocando-o no mapa dos maiores empreendimentos industriais do planeta.

A história e a identidade de Inocência

Antes de ganhar projeção com o megaprojeto, Inocência já carregava uma rica trajetória histórica. A região era conhecida como Bocaina e, depois, como São Pedro — então distrito do antigo município de Santana do Paranaíba. Em 1943, o Decreto-Lei Estadual nº 545 mudou o nome para Inocência, homenagem ao romance Inocência, do Visconde de Taunay, publicado em 1872 e inspirado em paisagens e costumes locais.

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Município de Inocência. Foto: Saul Schramm

Em 17 de novembro de 1958, a Lei Estadual nº 1.129 elevou o distrito à categoria de município. A instalação oficial ocorreu em 4 de abril de 1959, data celebrada como aniversário da cidade. Mais tarde, em 1963, foi criado o distrito de São José do Sucuriú.

Localização estratégica e vocação para crescer

Inocência está na microrregião de Paranaíba, a 337 km de Campo Grande e 737 km de Brasília. Limita-se com Paranaíba, Cassilândia, Água Clara, Três Lagoas, Selvíria e Chapadão do Sul. Com área territorial de 5.761 km² e altitude média de 502 metros, o município ocupa posição estratégica próxima à divisa com Goiás e ao corredor logístico de Três Lagoas — hoje um dos principais polos de celulose do país.

Agora, com o maior investimento industrial da história da cidade, Inocência se prepara para mudar de patamar e se tornar protagonista no cenário mundial da produção de celulose.

Com assessorias

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