A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira, 12, a Operação Quina para cumprir mandados de prisão temporária contra quatro policiais civis suspeitos de extorsão qualificada e associação criminosa armada contra traficantes.
Os alvos são três investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Carapicuíba e um investigador do 1.º Distrito Policial de Taboão da Serra. São eles Tiago Henrique de Souza Carvalho, Diogo Prieto Junior, Roberto Castelano e João Ruper Rodrigues.
A reportagem busca contato com a defesa dos agentes. O espaço está aberto.
Segundo a Corregedoria, o grupo é suspeito de sequestrar traficantes e exigir propinas milionárias para libertá-los. As investigações apontam que os policiais ostentavam elevado padrão de vida. Na casa de um dos agentes, antigo na corporação, foram encontrados R$ 60 mil em dinheiro vivo.
Um dos casos investigados envolve Fábio Oliveira Silva, apontado como integrante da quadrilha responsável pelo sequestro da mãe do ex-jogador Robinho, ocorrido em novembro de 2004, em Praia Grande, no litoral paulista. Ela ficou 41 dias em cativeiro na zona norte de São Paulo e foi libertada após pagamento de resgate.
Segundo o relato de Fábio à Corregedoria, ele foi abordado em 2 de abril de 2026 por homens que se identificaram como policiais civis e entraram em sua residência sem mandado judicial. Depois, teria sido levado para a sede da Dise de Carapicuíba, onde passou a sofrer ameaças de prisão caso não pagasse R$ 1 milhão.
De acordo com a investigação, os policiais afirmavam que poderiam forjar um flagrante contra ele caso o valor não fosse pago. Diante das ameaças, o primo de Fábio, Eder Wilson de Jesus Silva, teria negociado e pagado R$ 303 mil ao grupo. O dinheiro, segundo os autos, foi entregue em uma padaria de Barueri e, depois, contado dentro da unidade policial.
Mesmo após o pagamento parcial, as ameaças teriam continuado. As vítimas afirmam que os investigadores seguiram cobrando o restante do dinheiro por telefone, mensagens e áudios. Em uma nova negociação, o valor exigido teria sido reduzido para R$ 500 mil, com imposição de prazos para o pagamento.
Segundo a representação da Corregedoria, João Ruper Rodrigues atuava como principal responsável pelas cobranças e pelo recebimento do dinheiro obtido nas extorsões. Já Tiago Henrique de Souza Carvalho teria participado da abordagem inicial das vítimas, das ameaças e da renegociação dos valores exigidos.
A investigação aponta ainda que Roberto Castelano chefiou a diligência que resultou na condução da vítima até a delegacia, enquanto Diogo Prieto Junior teria participado tanto da ação inicial quanto do recebimento do dinheiro.
“A Corregedoria Geral da Polícia Civil ressalta que a atuação reforça o compromisso da instituição com a legalidade, a ética e o combate a desvios de conduta funcional”, afirmou a corporação. Segundo a polícia, as investigações seguem sob sigilo judicial.