Família egípcia tem entrada negada e está retida há 17 dias no aeroporto de Guarulhos


Por Agência Estado

Uma família egípcia está há 17 dias retida na área restrita do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após ter a entrada no País negada. O grupo é formado por um casal e dois filhos, de 5 e 2 anos, e aguarda definição sobre a situação migratória. A mulher está com 34 semanas de gestação, é diabética e tem uma gravidez considerada de risco.

Segundo o advogado da família, William Fernandes, eles chegaram ao Brasil no dia 8 de abril. Apesar de possuírem vistos, o pai, Abdallah Montaser, foi classificado como “pessoa perigosa” pelas autoridades, sem que, segundo a defesa, tenha sido apresentada justificativa detalhada ou possibilidade de contestação.

“A família inteira tem vistos pra entrar no Brasil, mas quando ele chegou no País, ele foi informado de que ele foi classificado como uma pessoa perigosa”, afirmou o advogado. O Estadão procurou a Polícia Federal e o Itamaraty e ainda aguardava um retorno até a publicação deste texto.

Desde então, a família permanece na área restrita do aeroporto. De acordo com o advogado, as condições de permanência são precárias, especialmente por envolver crianças e uma gestante em estágio avançado da gravidez.

Ainda segundo a defesa, o filho mais novo possui intolerância à lactose e necessita de alimentação específica, que não estaria sendo plenamente garantida no local. O menino completou dois anos enquanto permanecia retido no aeroporto.

Na noite de quinta-feira, 23, a gestante passou mal e apresentou dores abdominais, além de redução dos movimentos do feto, o que levou a pedidos de atendimento médico.

“Ontem à noite, ele (o pai) me ligou desesperado, porque a mulher dele estava passando mal. Ele recorreu, pediu por serviços médicos e não teve atendimento médico. Hoje pela manhã, ele me aciona, na primeira hora da manhã, informando que a mulher estava sentindo dores abdominais e o feto não estava se mexendo na barriga”, relatou.

Após mobilização judicial e acionamento de órgãos como a Defensoria Pública da União, ela foi levada a um hospital em Guarulhos. Exames indicaram infecção urinária, com presença elevada de glóbulos brancos e bactérias, além de sangue na urina. O bebê está vivo, mas, segundo o relato do advogado, apresenta crescimento abaixo do esperado.

O marido não pôde acompanhar a esposa ao hospital e ficou horas sem informações sobre o estado de saúde dela e do bebê. Após o atendimento, a gestante retornou ao aeroporto.

A família está hospedada em um hotel dentro da área restrita do aeroporto, cujo custo é coberto parcialmente pela companhia aérea. Segundo o advogado, o pai precisa arcar com sua própria estadia, que custa cerca de R$ 1 mil por dia. Em mais de duas semanas, ele já teria gasto cerca de R$ 16 mil.

A defesa afirma que ingressou com medidas judiciais para garantir o direito de defesa do migrante e acesso às informações que levaram à classificação como “pessoa perigosa”. Também foi solicitado o acompanhamento da Defensoria Pública da União no caso, diante da vulnerabilidade da família.

Sair da versão mobile