Mais de 400 mil produtos irregulares são encontrados em farmácia de manipulação de SC
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em ação conjunta com a Vigilância Sanitária de Santa Catarina, encontrou mais de 400 mil medicamentos injetáveis variados sem receita médica, armazenados de forma irregular à espera da venda, o que é proibido.
“Em qualquer farmácia de manipulação, a produção só pode ocorrer para atender a uma prescrição específica, prévia e individualizada”, reforça a Anvisa, em comunicado.
Os produtos foram encontrados na HKM Farmácia de Manipulação (Essentia Pharma), em Palhoça, Santa Catarina. O Estadão entrou em contato com a empresa, mas não obteve retorno até a publicação do texto. O espaço segue aberto.
Segundo a Anvisa, também foram encontradas matérias-primas de tirzepatida, usada no tratamento da obesidade e do diabetes, sem os testes e controles exigidos.
A inspeção identificou ainda falhas graves nos processos de esterilização e prevenção de contaminações. “A esterilização é uma etapa necessária e essencial na produção de medicamentos injetáveis, pois garante que o medicamento final esteja livre de microrganismos”, destaca a agência.
“A equipe constatou risco de contaminação biológica, ou seja, por microrganismos como bactérias e fungos, em decorrência da forma como o processo de manipulação era conduzido e dos materiais que entravam em contato com as formulações”, acrescenta a Anvisa.
Por conta dos problemas, a linha de produção dos medicamentos esterilizados por “envase asséptico” foi interditada.
Manipulação de tirzepatida
O uso de versões manipuladas de tirzepatida tem gerado alertas de especialistas.
“Isso traz risco real”, afirmou o endocrinologista Renato Zilli, do Hospital Sírio-Libanês, em entrevista recente ao Estadão. Ele citou problemas de pureza do insumo, estabilidade, cadeia fria, esterilidade e a possibilidade de contaminação ou dose errada. “Há também um mercado grande de falsificação e produtos irregulares”, lembrou.
Na ocasião, Rodrigo Lamounier, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) também contraindicou o uso de medicamentos manipulados como alternativa por custo ou alta demanda. “É uma produção paralela, sem fiscalização adequada, com riscos biológicos e de dose não padronizada.”
