O engenheiro Leniel Borel, pai do menino Henry Borel, reagiu com revolta à decisão judicial que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe da criança e sua ex-mulher. Ele disse que o ato representaria a “terceira morte de Henry”, acrescentando que o precedente poderia levar outras mães a permitir que seus filhos fossem mortos. Leniel prometeu entrar com recursos, através de seus advogados, para anular o julgamento.
Em vídeos postados em sua página no Instagram ele afirma que a segunda morte teria sido uma decisão anterior da juíza que ele entendeu como benéfica à mãe.
“Agora venho para vocês falar que mataram o meu filho pela terceira vez. O que foi falado ali agora é que a misoginia matou o Henry. O Henry, ele representa essas milhares de crianças que são vítimas todo dia, e por causa de decisões como essa, se abre precedente para outras mães, genitoras, que possam matar seus filhos, que possam permitir que seus filhos sejam mortos”, disse.
O julgamento do caso – o mais longo da história do Estado – foi concluído na madrugada desta quinta-feira, 4, no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, após 11 dias de depoimentos e debates entre acusação e as defesas do ex-vereador e da mãe do menino.
O ex-vereador Jairo Souza Santos Junior, o Jairinho, padrasto do menino de 4 anos, foi condenado a mais de 43 anos de prisão pela morte de Henry Borel. A defesa dele informou que vai entrar com recurso por entender que a decisão contrariou provas do processo.
No caso de Monique, o Conselho de Sentença desclassificou a acusação principal de homicídio doloso para homicídio culposo. Em seguida, a juíza concedeu o perdão judicial, extinguindo a punição. Monique foi condenada apenas por omissão em relação à tortura, mas a pena foi considerada cumprida pelo tempo em que já esteve presa.
Na sentença, a juíza afirmou que Monique foi vítima de um “massacre” nas redes sociais e alvo de misoginia extrema e que, durante os cinco anos do caso, a mãe de Henry sofreu uma perseguição implacável.
Leniel reagiu afirmando que nos últimos cinco ano viveu a maior dor que uma pessoa pode passar, que é a morte do filho. “A misoginia matou o Henry? Como é que vou falar para minha mãe, a avó do Henri, como vou falar para ela que foi a misoginia da sociedade matou o Henry. Quem tinha o dever de garantir a proteção do Henry se chama Monique, que estava naquele apartamento com o Jairo.”
O escritório do advogado Cristiano Medina da Rocha, assistente de acusação no caso da morte do menino Henry Borel, informou que vai pedir a anulação do julgamento alegando, entre outros motivos, que houve erro na apresentação dos quesitos aos jurados, o que teria comprometido a decisão sobre o caso.
Henry Borel morreu no dia 8 de março de 2021, quanto tinha 4 anos. A investigação da polícia concluiu que o menino morreu por conta das agressões de Jairinho e pela omissão de Monique. Um mês após a morte de Henry, Jairinho e Monique foram presos, acusados de tortura e homicídio.
Após a decisão condenatória, Jairinho continua na prisão pelo menos até o julgamento dos recursos. Monique chegou a ser solta duas vezes, mas voltou para a cadeia. Com a decisão do júri, a justiça expediu alvará de soltura.