Nos últimos meses, o psyllium passou a ser chamado nas redes sociais de “Mounjaro de pobre” ou até mesmo de “Ozempic natural”. O apelido ganhou força entre pessoas que buscam alternativas mais acessíveis para perder peso e controlar o apetite. No entanto, especialistas alertam que a comparação pode ser enganosa e gerar expectativas irreais sobre os efeitos da fibra.
Embora o psyllium possa contribuir para a sensação de saciedade e fazer parte de uma estratégia de emagrecimento saudável, ele não atua da mesma forma que medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, como Mounjaro e Ozempic.
O que é o psyllium?
O psyllium, também conhecido como psílio, é uma fibra solúvel extraída da planta Plantago ovata, originária da Índia e do Irã. Entre 70% e 85% de sua composição é formada por fibras solúveis, que absorvem água e aumentam de volume dentro do organismo.
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Ao entrar em contato com líquidos, o suplemento forma uma espécie de gel no sistema digestivo. Esse processo ajuda a prolongar a sensação de estômago cheio, pode retardar a digestão e contribuir para que algumas pessoas consumam menos calorias ao longo do dia.
Por conta desses efeitos, o produto passou a ser associado ao emagrecimento e ganhou popularidade como uma alternativa barata às famosas canetas para perda de peso.
Por que o psyllium não é igual ao Mounjaro?
Apesar do apelido “Mounjaro de pobre”, especialistas reforçam que os dois produtos têm mecanismos de ação completamente diferentes.
Medicamentos como Mounjaro e Ozempic atuam diretamente em hormônios relacionados ao controle da glicose, da fome e do peso corporal. Já o psyllium é apenas uma fibra alimentar que exerce seus efeitos de maneira mecânica no trato digestivo.
“Devido à sua capacidade de absorver água e se expandir no estômago, o psyllium pode ajudar na sensação de saciedade. Isso pode auxiliar indiretamente na perda de peso, ao reduzir a ingestão calórica total”, explicou o endocrinologia Rodrigo Neves.
A palavra mais importante na explicação é “indiretamente”. O psyllium não trata obesidade, não substitui medicamentos prescritos e não promove emagrecimento significativo sem mudanças na alimentação e no estilo de vida.
Mounjaro de pobre funciona? Psyllium ajuda a emagrecer?
A resposta é sim, mas com ressalvas.
O suplemento pode auxiliar no processo de emagrecimento ao aumentar a saciedade e ajudar no controle da ingestão alimentar. Entretanto, os resultados dependem de fatores como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento profissional.
Diferentemente das canetas emagrecedoras, o psyllium não altera mecanismos hormonais ligados ao apetite. Por isso, seus efeitos costumam ser mais modestos e variam de pessoa para pessoa.
Benefícios do psyllium para o intestino e para a saúde
Além da possível contribuição para o controle do peso, o psyllium é amplamente utilizado para melhorar o funcionamento intestinal.
Ao formar um gel dentro do intestino, a fibra ajuda a reter água nas fezes, facilitando sua eliminação e auxiliando pessoas que sofrem com prisão de ventre.
A nutricionista Talyta Machado destaca que os benefícios também podem envolver o metabolismo da glicose.
“De forma resumida, o intestino se torna mais lento em pessoas que ingerem o psyllium. Isso tem um impacto no controle glicêmico, já que o açúcar é absorvido mais lentamente, além de diminuir também acúmulos de gordura e a sensação de fome, pois a barriga está cheia”, afirmou.
Segundo especialistas, a fibra também pode contribuir para a redução do colesterol LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim.
“Os benefícios incluem melhora na regularidade intestinal, auxílio na manutenção dos níveis de açúcar no sangue para pessoas com a diabetes e possível redução do colesterol LDL (ruim)”, apontou o médico Rodrigo Neves.
Como tomar psyllium da forma correta
O psyllium pode ser consumido em pó, misturado em água, sucos, vitaminas ou incorporado a receitas como pães e panquecas.
De acordo com especialistas, a recomendação costuma variar entre 5 e 10 gramas por refeição, sempre diluídas em aproximadamente 300 ml de água e seguindo orientação profissional.
Para quem busca aumentar a saciedade, o consumo geralmente ocorre cerca de 30 minutos antes das principais refeições.
A hidratação adequada é considerada fundamental. Sem ingestão suficiente de água, o suplemento pode causar efeito contrário ao desejado, agravando a prisão de ventre.
Quem deve evitar o consumo?
Apesar de ser comercializado como suplemento alimentar, o psyllium não é indicado para todas as pessoas.
O produto deve ser evitado por indivíduos com obstrução intestinal, dificuldades para engolir ou alergia aos componentes da fibra.
Pessoas com doenças intestinais ou que utilizam medicamentos continuamente também devem buscar orientação médica antes do uso, devido ao risco de interações e possíveis efeitos adversos.
‘Mounjaro de pobre’ é um apelido exagerado
Embora o psyllium ofereça benefícios relacionados à saciedade, ao funcionamento intestinal, ao controle glicêmico e aos níveis de colesterol, especialistas alertam que chamá-lo de “Mounjaro de pobre” simplifica excessivamente a questão.
Enquanto Mounjaro e Ozempic são medicamentos desenvolvidos para atuar em mecanismos específicos do organismo relacionados à obesidade e ao diabetes, o psyllium é uma fibra alimentar com efeitos limitados e dependentes do uso adequado.
Por isso, apesar da popularidade nas redes sociais, o suplemento não deve ser encarado como substituto das canetas emagrecedoras nem como uma solução milagrosa para perda de peso