Nova megaferrovia de R$ 14,9 bilhões terá mais de 1.200 km e vai cortar 53 cidades do Brasil


Por Redação GMC Online

A Ferrovia Transnordestina avança como uma das maiores obras de infraestrutura logística do Brasil e promete transformar o escoamento de grãos, minérios e outras cargas no Nordeste. Com mais de 1.200 quilômetros de extensão, o projeto da megaferrovia atravessará 53 municípios e deve ser totalmente concluído até 2027, segundo o governo federal.

Considerada estruturante para a logística nacional, a Transnordestina é vista como peça-chave para reduzir custos de transporte, aumentar a competitividade do agronegócio e impulsionar o desenvolvimento econômico regional.

Foto: Michel Corvello/ MT

Governo libera R$ 2 bilhões e Ceará tem obras totalmente autorizadas

Em dezembro, o Governo do Brasil liberou R$ 2 bilhões por meio do Novo PAC para o avanço das obras da ferrovia. Com isso, o Ceará passou a ter 100% dos trechos liberados para construção.

“O avanço dessas obras mostra o tamanho do empreendimento e a importância da Transnordestina para o Nordeste. A ferrovia vai permitir que possamos fazer o transporte de cargas de maneira mais eficiente, descarbonizando o setor de transporte”, afirmou Leonardo Ribeiro.

O trecho visitado recentemente corta os municípios cearenses de Baturité, Aracoiaba, Redenção, Acarape, Guaiúba, Palmácia, Maranguape e Caucaia, com 97 quilômetros de extensão. Essa etapa faz parte da fase 1 do projeto, que liga o Piauí ao litoral do Ceará, onde está localizado o Porto do Pecém.

Megaferrovia: Investimento bilionário e previsão de entrega em 2027

Foto: Michel Corvello/ MT

O investimento total na Transnordestina é estimado em R$ 14,9 bilhões, dos quais R$ 11,3 bilhões já foram aplicados. A expectativa do governo federal é que toda a ferrovia esteja concluída até 2027.

“Mais do que a geração de empregos, trata-se da principal obra de logística da história do Ceará, que vai atravessar o estado e ligar uma grande região produtora de grãos e minérios ao Porto do Pecém, conectando o Ceará aos mercados do mundo”, ressaltou o governador do Ceará, Elmano de Freitas.

Na fase 1, as obras já atingiram 80% de conclusão. Ao todo, 727 quilômetros da linha principal estão finalizados, enquanto outros 326 quilômetros seguem em construção.

Testes operacionais já começaram

A Transnordestina deu um passo importante rumo à operação plena em janeiro, com a realização do segundo teste operacional. A Transnordestina Logística S.A. (TLSA) transportou 946,12 toneladas de sorgo do Terminal Intermodal do Piauí (TIPI) até o Terminal Logístico de Iguatu (TLI), no Ceará, em um percurso de 16 horas e 34 minutos.

Os testes começaram em dezembro de 2025, com o transporte de produtos agrícolas, e devem incluir outros tipos de carga nas próximas etapas, ampliando a avaliação da infraestrutura ferroviária.

“Essa é uma obra fundamental, com mais de 1.200 quilômetros de ferrovia e todos os lotes contratados. É uma obra que vai transformar o Nordeste, rompendo um binômio negativo. Agora, a infraestrutura é de primeiro mundo e tenho certeza de que isso vai gerar um grande desenvolvimento para a região”, disse o diretor-executivo de Infraestrutura e Logística da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Tufi Daher Filho.

Trajeto estratégico liga o interior ao Porto do Pecém

Foto: Michel Corvello/ MT

A linha principal da Transnordestina terá 1.206 quilômetros, além de 73 quilômetros de ramais secundários. O traçado ligará Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará, atravessando 53 municípios.

Do total, 608 quilômetros estão em território cearense, beneficiando 28 municípios. Outros 18 municípios do Piauí e 7 de Pernambuco também serão atendidos pela ferrovia, ampliando o impacto econômico regional.

“Estamos focados no transporte de cargas, especialmente para o escoamento da produção agrícola. Uma ferrovia, uma vez implantada, induz desenvolvimento no seu entorno, com a instalação de terminais e portos secos pelo setor privado, gerando emprego e renda. Além disso, o transporte ferroviário é mais eficiente e sustentável, contribuindo para a redução da emissão de gases poluentes. O futuro da economia do Brasil depende das ferrovias”, finalizou o secretário Nacional de Transporte Ferroviário.

Impacto no agronegócio e no desenvolvimento regional

A Transnordestina é considerada estratégica para o escoamento da produção do Matopiba — região que abrange Maranhão, Piauí, Bahia e Tocantins. Com a nova ferrovia, os custos logísticos devem cair, aumentando a competitividade das commodities brasileiras no mercado internacional.

Além disso, a expectativa é que a ferrovia estimule a instalação de terminais logísticos, indústrias e centros de distribuição ao longo do trajeto, gerando empregos e fortalecendo a economia local.

Um projeto antigo, marcado por atrasos

A necessidade de uma ferrovia estruturante no Nordeste é discutida desde a década de 1950. A primeira tentativa de construção começou em 1959, mas foi interrompida por falta de viabilidade econômica.

O projeto atual teve início em 2006, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com previsão inicial de conclusão em 2010. Após anos de paralisações e atrasos, as obras foram retomadas em 2024, ganhando novo impulso com recursos do Novo PAC.

Com assessoria de imprensa

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