Super El Niño: veja locais que podem ser afetados e a partir de quando


Por Metrópoles, parceiro do GMC Online

Um El Niño de intensidade moderada a forte pode afetar o Brasil a partir do segundo semestre deste ano, aponta a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA). A chegada do fenômeno causará instabilidade e liga o alerta para eventos climáticos extremos.

El Niño deve provocar tempo mais seco no Nordeste | Foto: Nasa/JPL-Caltech

O fenômeno tem sido chamado de Super El Niño e causado preocupações Brasil afora.

O NOAA mostra que há 82% de chance de o El Niño chegar entre maio e julho, e previsão de 96% para o evento se desenvolver até dezembro. O Metrópoles conversou com especialistas para saber quais regiões devem ser mais afetadas e qual será a intensidade do fenômeno.

O que é o El Niño?

Segundo Estael Sias, mestre em Meteorologia pela Universidade São Paulo (USP), o El Niño 2026/2027 pode começar em junho e será diferente do fenômeno de 2023-2024. Os eventos extremos devem ocorrer nas regiões Sul, Norte e Nordeste.

“Para o 2º semestre, os modelos estão colocando mais umidade entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, o que é diferente do padrão tradicional do El Niño, indicando essa possibilidade de chuva acima da média nestes estados. Já no Sul, teremos potencial de precipitações mais elevadas, com frequentes alagamentos e risco de enchentes”, explica a meteorologista Estael Sias.

O interior da região Norte e o Nordeste serão afetados por ondas de calor e escassez severa da chuva. Conforme a especialista, isso impacta os mananciais e bacias hidrográficas, prejudica a agricultura, além de favorecer queimadas e incêndios.

Sul corre risco com El Niño

Eventos como tempestadesenchenteschuvas torrenciais podem afetar diversas cidades do Sul. Isso ocorre porque o El Niño altera a circulação atmosférica e direciona correntes de umidade da Amazônia à região.

A junção da umidade com frentes frias retidas no Sul gera tempestades, inundações e enchentes na região. Em 2024, estes fatores climáticos, somados às vulnerabilidades locais, contribuíram para uma tragédia histórica: as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul.

“No Sul, onde o El Niño concentrará chuvas extremas, sistemas de drenagem subdimensionados tendem a colapsar rapidamente, gerando alagamentos recorrentes e extravasamento de esgoto. A malha rodoviária de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul tem dezenas de pontos críticos mapeados em áreas de risco geológico”, avalia Júlio César da Silva, engenheiro ambiental e professor da UERJ.

No entanto, Júlio destaca que a vulnerabilidade real de cada região depende menos do fenômeno em si e mais das condições pré-existentes de infraestrutura.

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