Uma tempestade solar de forte intensidade deixou o mundo em alerta nesta semana após atingir a Terra entre a noite de segunda-feira, 19, e a madrugada de terça-feira, 20. O fenômeno, classificado como severo (nível G4), já passou do seu ápice, mas continua sendo monitorado por cientistas devido ao potencial de impactos em sistemas tecnológicos e infraestrutura crítica.
O evento foi provocado por uma ejeção de massa coronal (EMC) — uma grande explosão no Sol que lança partículas carregadas em alta velocidade em direção ao espaço. Ao atingir a Terra, essas partículas interagiram com o campo magnético do planeta, gerando uma das tempestades geomagnéticas mais intensas registradas nas últimas duas décadas.
Aurora boreal surpreende e se espalha por regiões incomuns
Um dos efeitos mais visíveis da tempestade solar foi a intensificação das auroras boreais, que puderam ser observadas em áreas fora do padrão. O fenômeno foi registrado em grande parte do Canadá, no norte dos Estados Unidos e em vários países da Europa, incluindo regiões onde esse tipo de espetáculo é raro.
As auroras ocorrem quando partículas solares colidem com gases da atmosfera terrestre, liberando energia em forma de luz. Dependendo do tipo de gás e da altitude, o céu pode apresentar tons de verde, vermelho, roxo e azul.
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Alerta severo da NOAA e riscos tecnológicos
O Centro de Previsão de Clima Espacial da NOAA, agência dos Estados Unidos responsável pelo monitoramento do clima espacial, emitiu um alerta severo (nível 4 de 5) para a tempestade geomagnética. Esse nível indica potencial para impactos significativos em sistemas tecnológicos.
Entre os principais riscos associados a tempestades solares desse porte estão:
- Interferências em satélites, com possíveis falhas de comunicação e navegação;
- Instabilidade em sistemas de GPS, afetando aviação, transporte marítimo e serviços de localização;
- Problemas em comunicações de rádio, especialmente em regiões polares;
- Sobrecarga em redes elétricas, com risco de danos a transformadores e oscilações no fornecimento de energia.
Segundo especialistas da NOAA, embora o risco de apagões seja considerado baixo, operadores de energia e satélites foram orientados a adotar medidas preventivas.
Astronautas não correm risco, dizem especialistas
Apesar da intensidade do fenômeno, autoridades científicas afirmam que não há risco imediato para os astronautas que estão a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS). Ainda assim, tempestades de radiação solar exigem monitoramento constante, pois podem elevar a exposição à radiação no espaço.
Evento raro e relação com o ciclo solar
De acordo com cientistas, não havia registro recente de uma tempestade solar com essa intensidade em mais de 20 anos. O evento está relacionado ao atual ciclo solar, que ocorre aproximadamente a cada 11 anos e alterna períodos de baixa e alta atividade do Sol.
Atualmente, o astro se aproxima do chamado máximo solar, fase em que erupções, manchas solares e ejeções de massa coronal se tornam mais frequentes e intensas.
O que esperar após o pico da tempestade solar
Embora o ápice da tempestade já tenha passado, especialistas alertam que efeitos residuais ainda podem ocorrer nos próximos dias, como pequenas perturbações no campo magnético da Terra e novas aparições de auroras em latitudes incomuns.
Agências de clima espacial seguem monitorando o Sol para antecipar novos eventos e reduzir riscos à infraestrutura global, cada vez mais dependente de tecnologia sensível ao clima espacial.