União Europeia e Reino Unido chegam a acordo pós-Brexit

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou neste domingo que o bloco europeu chegou a um acordo com o Reino Unido para o pós-Brexit. O período de transição da saída do Reino Unido da União Europeia termina no dia 31 de dezembro.
Sem entrar em detalhes do acordo, von der Leyen comentou que as negociações foram difíceis, mas os termos acordados foram “justos, equilibrados e corretos”. “Temos todas as ferramentas para reagir se a competição for distorcida”, comentou durante coletiva de imprensa ao lado do negociador-chefe do Brexit por parte da UE, Michel Barnier.
Segundo von der Leyen, a União Europeia e o Reino Unido vão continuar cooperando em todas as áreas, uma vez que os britânicos continuam sendo “um parceiro confiável”. A presidente da Comissão Europeia, entretanto, não deixou de destacar que foi colocado de forma clara que se o Reino Unido deseja acessar o mercado comum europeu terá que seguir regras.
De acordo com ela, foram criados mecanismos “fortes” para solucionar disputas, assim como incentivos para que ambos os lados cumpram com termos acordados. “É o momento de virar a página e olhar para o futuro. Compartilhamos UE e Reino Unido os mesmo valores”, afirmou, dizendo-se “satisfeita e aliviada”. “O fim é também um começo”, acrescentou, pontuando que o debate em torno do Brexit sempre foi a respeito de soberania.
“Será o início de uma nova geração de acordos de livre comércio”, observou Barnier, destacando que uma nova parceria com o Reino Unido será construída daqui pra frente. Segundo Barnier, o acordo pós-Brexit será agora enviado para análise do Parlamento Europeu e do Conselho Europeu.
Johnson comemora acordo ‘tarifa zero’ com UE e diz que europeus serão aliados
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, comemorou o acordo de livre-comércio firmado nesta quinta-feira, 24, com a União Europeia (UE) após meses de impasse. “Não estamos mais presos às regras da UE. Isso significa que teremos total independência política e econômica a partir de 1º de janeiro”, afirmou o premiê, em coletiva de imprensa após o anúncio do entendimento. “Agora, seremos aliados de primeira hora dos europeus, econômica e politicamente”.
A formalização do acordo vem a apenas sete dias do fim do período de transição do Brexit. Caso não houvesse consenso antes disso, as relações comerciais entre Reino Unido e UE passariam a ser regidas, em 2021, pela Organização Mundial do Comércio (OMC), sob termos que, segundo especialistas, prejudicariam as economias das duas partes, já golpeadas pela crise do novo coronavírus. O texto acordado hoje, contudo, ainda precisa ser avalizado pelos parlamentos europeu e britânico.
Johnson lembrou que foi a própria população britânica que escolheu, em plebiscito ocorrido em 2016, pela saída do bloco europeu e ressaltou que foi ele quem resistiu à pressão, ao longo deste ano, para estender o período de transição. “Estou muito satisfeito com o acordo alcançado, que protege empregos. Traz-nos independência e liberdade. Bens do Reino Unido poderão ser vendidos sem tarifas à UE”, comemorou Boris Johnson, que chamou o acordo de “muito parecido” com a relação comercial estabelecida entre britânicos e canadenses. “Pela primeira vez desde 1973, seremos um estado costeiro com controle sobre nossas águas. Agora, podemos decidir como estimular nossa economia”, acrescentou.
O controle sobre as águas costeiras era um ponto nevrálgico do impasse até então arrastado entre europeus e britânicos. Na coletiva, Johnson ainda anunciou a criação de um programa de 100 milhões de libras esterlinas para a indústria da pesca e agradeceu à Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, pelas negociações. A presidente do órgão europeu, Ursula Von der Leyen, também fez coletiva de imprensa nesta tarde e chamou o acordo alcançado de “justo, correto e equilibrado”.
Covid-19
Em meio à segunda onda da pandemia de covid-19, Johnson aproveitou seu pronunciamento para pedir à população britânica que fique em casa durante as festas de fim de ano. Ele lamentou o aperto nas restrições sociais imposto nesta semana. “Lamento, mas é necessário”. O país confirmou nesta semana infecções por nova cepa do novo coronavírus 70% mais transmissível.
