Presente na mesa de milhões de pessoas ao redor do mundo, principalmente em pratos tradicionais das festas de Natal e Ano Novo, o bacalhau guarda uma curiosidade que ainda surpreende muitos consumidores: bacalhau não é o nome de um peixe específico.
Na prática, o termo “bacalhau” é usado para designar peixes que passam por um processo de salga e secagem, técnica responsável pelo sabor marcante e pela longa conservação do alimento. Ou seja, o que define o bacalhau não é apenas a espécie, mas o método de preparo ao qual o peixe é submetido.
De acordo com as normas internacionais e a legislação brasileira, apenas três espécies podem ser oficialmente chamadas de bacalhau: Gadus morhua, também conhecido como Bacalhau do Porto ou Cod; Gadus macrocephalus; e Gadus ogac, chamado de Bacalhau da Groenlândia. Essa classificação tem como objetivo proteger a autenticidade do produto e garantir clareza ao consumidor.
Rotulagem no Brasil
Para evitar confusões, a legislação brasileira exige que os rótulos de peixes salgados tragam o nome científico das espécies utilizadas. Isso é crucial, pois no mercado existem diversos produtos que, embora semelhantes, não podem ser classificados como bacalhau.
Espécies como Pollachius virens (conhecido como Saithe), Ophiodon elongatus (Ling) e Brosmius brosme (Zarbo) são frequentemente comercializadas como peixes salgados secos “tipo bacalhau”. Essa diferenciação é importante para que o consumidor saiba exatamente o que está adquirindo.
Se bacalhau não é um tipo de peixe, veja as diferenças entre as espécies
- Gadus morhua: Considerado o verdadeiro Bacalhau do Porto, é a espécie mais valorizada devido à textura macia e sabor marcante.
- Gadus macrocephalus: Embora seja menos tradicional, também é amplamente utilizado na gastronomia.
- Gadus ogac: Mais comum no mercado, oferece uma opção econômica sem perder a qualidade.
Já os peixes salgados secos “tipo bacalhau” são alternativas mais acessíveis, mas possuem diferenças no sabor, na textura e na qualidade geral quando comparados às espécies originais.
Por que essa diferenciação importa?
A distinção entre bacalhau legítimo e peixe salgado tipo bacalhau é essencial para manter a transparência no mercado e permitir que os consumidores façam escolhas informadas. Saber identificar a espécie no rótulo ajuda a evitar frustrações e a valorizar pratos que exigem o autêntico bacalhau.
Benefícios para a saúde
Rico em proteínas e com baixo teor de gordura, o bacalhau é considerado um importante aliado na prevenção de doenças cardiovasculares e no fortalecimento do sistema imunológico.
Entre os exemplos de peixe magro está o bacalhau, que se destaca pelo alto valor nutricional. Ele é fonte de minerais como ferro e fósforo e também contém ômega 3, um tipo de gordura benéfica ao organismo.
Pesquisas publicadas em revistas científicas internacionais indicam que o consumo regular desse nutriente pode contribuir para o aumento da expectativa de vida, especialmente entre pessoas não fumantes. Os dados analisados fazem parte de estudos de longo prazo que acompanham hábitos alimentares e condições de saúde de populações ao longo de décadas.
Estudos apontam ainda que dietas associadas ao consumo de ácidos graxos poli-insaturados, como EPA e DHA, apresentam maior efeito protetor contra doenças cardiovasculares. Esses compostos, encontrados principalmente em peixes de água salgada, ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos no sangue, gorduras que estão diretamente ligadas à síndrome metabólica, incluindo obesidade, diabetes, hipertensão e maior risco cardíaco. A recomendação geral é de um consumo semanal aproximado de 200 gramas de peixe rico em ômega 3.
Além disso, oferece proteínas de alta qualidade, vitaminas e minerais como zinco e selênio, além das chamadas gorduras boas, essenciais para a produção do HDL, conhecido como colesterol bom, que auxilia na proteção do coração.
Apesar dos benefícios, é importante atenção ao teor elevado de sal do bacalhau. Para um consumo mais seguro, a orientação é realizar o processo correto de dessalga, utilizando água potável, mantendo o alimento sob refrigeração de até 5 °C ou recorrendo à fervura antes do preparo.