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30 de abril de 2026

Ibovespa sobe 1,39%, aos 187,3 mil, mas não evita 2º mês e 3ª semana de perdas


Por Agência Estado Publicado 30/04/2026 às 17h59
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Amparado nesta quinta-feira, 30, no tom favorável do exterior, o Ibovespa sustou uma série negativa que, em linhas gerais, estendeu-se da última máxima histórica, em 14 de abril, para as 10 sessões seguintes – um intervalo em que havia marcado apenas um leve ganho, de 0,20%, no dia 20, e seis perdas seguidas no último período. Assim, entre uma primeira quinzena coroada por novo recorde histórico no fechamento (198,6 mil) e no intradia (na casa dos 199,3 mil), ambas no dia 14, e uma segunda quinzena de realização de lucros, o índice da B3 encerrou o mês praticamente no ponto em que estava no encerramento de março, mas em leve viés negativo.

Assim, após a interrupção de março, quando cedeu 0,70%, a Bolsa segue em trajetória suavemente declinante, tendo quebrado nesses dois últimos meses a série de ganhos que prevaleceu entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, intervalo de sete meses no azul. Em abril, contudo, a variação do índice foi de apenas -0,08%, com o Ibovespa a 187.461,84 pontos no fechamento de 31 de março e agora a 187.317,64 pontos, na última sessão do mês seguinte.

A virtual neutralidade em abril foi assegurada por ganho de 1,39% no último pregão do intervalo, em que o Ibovespa saiu de mínima na abertura aos 184.758,66 pontos e chegou na máxima do dia aos 187.920,77 pontos. Na semana, teve retração de 1,80%, sucedendo perdas semanais, de 2,55% e de 0,81%, o que em conjunto modera o ganho do ano a 16,26%. O giro financeiro desta quinta foi sólido, a R$ 28,8 bilhões, antes do feriado, sexta, no Brasil.

Para além da incerteza geopolítica, decorrente da ausência de normalização da passagem de carregamentos de petróleo pelo Estreito de Ormuz, os investidores em ações, gradualmente, vão recolocando a atenção em outros fatores, como a temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026, com divulgações ainda em curso no Brasil e nos Estados Unidos, e as primeiras reações à agenda pré-eleitoral, com desdobramentos recentes que sugerem enfraquecimento do governo para outubro.

Após o fechamento dos negócios, na noite de quarta, a comunicação do Copom sobre os juros, em viés ainda considerado hawkish (duro), se fez acompanhar por uma inesperada derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ver rejeitada no plenário do Senado a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) – algo não visto desde o fim do século 19, nos primórdios da República.

Nesta quinta-feira, em outro desdobramento negativo para o governo no Congresso, foi derrubado o veto presidencial ao projeto da dosimetria, que reduz penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 na Praça dos Três Poderes, o que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, duas derrotas pesadas para o governo, em dois dias, em um contexto de crescimento de candidaturas de oposição nas mais recentes pesquisas eleitorais.

“O fluxo estrangeiro continua a ser o fator decisivo para o avanço do Ibovespa e, mais do que o noticiário político, que o estrangeiro não acompanha em detalhe, o que tem movido a Bolsa é a percepção de que o Brasil é um ganhador relativo na crise de energia derivada do conflito no Oriente Médio, por ser exportador líquido de petróleo, com efeito favorável tanto para o balanço de pagamentos como para as contas fiscais”, diz Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos.

“O Brasil continua atrativo para o estrangeiro, inclusive o valuation de Bolsa, mas parte deste fluxo de fora pode estar indo agora um pouco menos para renda variável e um pouco mais para renda fixa. O câmbio sugere ainda fluxo de ingresso de recursos no País”, acrescenta Kautz. Nesta quinta, o dólar à vista fechou em baixa de 0,98%, a R$ 4,9527.

Na geopolítica, o Estreito de Ormuz seguiu bloqueado ao longo da semana, o petróleo Brent segue acima de US$ 100 e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a sugerir retomada de ações militares contra o Irã, o que amplificou a aversão ao risco, enumera Bruna Sene, analista de renda variável da Rico. “No final da semana, houve algum alívio com a ausência de novas escaladas, mas o cenário permanece frágil e sem resolução à vista”, acrescenta.

Na B3, a virada em Petrobras do meio para o fim da tarde, em alta de 0,48% na ON (máxima do dia no fechamento, a R$ 54,73) e de 0,25% na PN, não foi o suficiente para assegurar um mês positivo para o Ibovespa, intervalo no qual suas ações foram essenciais para o equilíbrio do índice, sob o peso de correção quase generalizada nas demais blue chips. Principal ação do Ibovespa, Vale ON subiu 2,19%, mas cedeu 5,46% na semana e 1,58% no mês – em abril, em comparação, Petrobras ON e PN avançaram, pela ordem, 2,57% e 2,00%.

Entre os principais bancos, o último dia do mês foi positivo, com destaque para BB ON, em alta de 2,30% no fechamento. No mês, Bradesco ON e PN se singularizaram, acumulando ganhos de 1,52% e 2,22%, respectivamente. Na ponta ganhadora do Ibovespa nesta quinta-feira, Hapvida (+5,45%), CPFL (+4,38%) e Axia (+4,03%). No lado oposto na sessão, apenas quatro das 83 ações que compõem o índice da B3: Suzano (-2,18%), Hypera (-0,88%), Klabin (-0,74%) e Iguatemi (-0,11%).

Os agentes do mercado financeiro brasileiro seguem pessimistas sobre o desempenho do Índice Bovespa na próxima semana. Como na edição anterior do Termômetro Broadcast Bolsa, a maioria dos profissionais consultados (44,44%) espera perdas do Ibovespa. O porcentual daqueles que projetam alta é de 33,33% e as apostas de estabilidade representam 22,22% das respostas.

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